Casa onde Hitler nasceu é transformada em delegacia para combater peregrinação neonazista
Imóvel na cidade austríaca de Braunau am Inn passou por ampla reforma e agora abriga uma unidade da polícia; objetivo é impedir que o local continue atraindo extremistas

A casa onde Adolf Hitler nasceu, na cidade de Braunau am Inn, na Áustria, foi oficialmente transformada em uma delegacia de polícia nesta quarta-feira (22). A medida faz parte de uma estratégia do governo austríaco para impedir que o imóvel continue sendo utilizado como ponto de encontro e peregrinação de grupos neonazistas.
O edifício, construído no século XVII e localizado próximo à fronteira com a Alemanha, passou por uma reforma que custou cerca de 20 milhões de euros (mais de R$ 115 milhões). A fachada amarela deu lugar a um acabamento branco e discreto, e a entrada agora exibe o brasão da polícia austríaca.
Em frente ao prédio, foi mantida uma placa em homenagem às vítimas do nazismo com a inscrição: "Pela paz, a liberdade e a democracia. Fascismo nunca mais. Milhões de mortos nos fazem lembrar."
Durante a cerimônia de inauguração, o prefeito de Braunau am Inn, Johannes Waidbacher, afirmou que a nova função do imóvel representa o compromisso da cidade com o enfrentamento do próprio passado.
Segundo ele, a iniciativa busca trazer mais tranquilidade aos moradores e reforçar que o município não pretende transformar o local em um símbolo de exaltação ao nazismo.
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Medida encerra anos de disputa

A transformação da casa em uma delegacia encerra uma longa disputa envolvendo o destino do imóvel.
A residência pertencia à mesma família desde 1912 e chegou a abrigar um centro para pessoas com deficiência, um dos grupos perseguidos pelo regime nazista.
A última proprietária se opôs à desapropriação, mas o governo austríaco aprovou uma lei específica para assumir o controle do imóvel em 2016. Três anos depois, a Justiça confirmou a compra da propriedade pelo Estado.
Ao longo dos anos, foram discutidas alternativas como a demolição do prédio ou sua transformação em um memorial. A primeira hipótese foi descartada por historiadores, que defenderam a preservação do imóvel como forma de reconhecer a responsabilidade histórica da Áustria. Já a criação de um memorial também foi rejeitada para evitar que o local se tornasse um ponto de culto para simpatizantes do nazismo.
Com a instalação da delegacia, o governo afirma que pretende deixar claro que manifestações em defesa do nacional-socialismo não serão toleradas.
A decisão, entretanto, não encerrou o debate. Entidades ligadas à preservação da memória do Holocausto avaliam que a mudança, por si só, pode não ser suficiente para impedir que extremistas continuem visitando o endereço.
*Com AFP News
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego/ Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.



