Trump reage a resposta do Irã sobre proposta dos EUA: 'Totalmente inaceitável'
Réplica iraniana pede fim do conflito em todas as frentes e garantias contra um novo ataque norte-americano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, neste domingo (10), que a resposta do Irã à proposta enviada pelos Estados Unidos para pôr fim à guera no Oriente Médio é "totalmente inaceitável".
A resposta iraniana foi entregue ao Paquistão, país que está mediando as negociações. No texto, o país persa destaca a necesidade de encerrar o conflito em todas as frentes e pede garantias contra um novo ataque norte-americano, segundo divulgado pela agência semioficial do Irã, Tasnim.
A proposta também ressalta a necessidade de suspender, por 30 dias, as sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos Estados Unidos, sobre as vendas de petróleo iraniano e de encerrar o bloqueio naval contra o Irã.
Em uma publicação na própria rede social, a Truth Social, Donald Trump escreveu: "Acabei de ler a resposta dos chamados ‘Representantes’ do Irã. Não gostei — TOTALMENTE INACEITÁVEL!".
'Nossa moderação terminou a partir de hoje'
O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, ameaçou reagir caso embarcações iranianas sejam atacadas.
"Nossa moderação terminou a partir de hoje. Qualquer ataque contra nossas embarcações desencadeará uma resposta iraniana forte e decisiva contra navios e bases americanas", escreveu Rezaei na rede X.
No Irã, o chefe militar Ali Abdollahi se reuniu com o líder supremo do país, Mojtaba Khamenei. Segundo a televisão estatal iraniana, ele recebeu "novas diretrizes e instruções" para a continuidade das operações militares.
A Guarda Revolucionária Islâmica também ameaçou atacar interesses americanos no Oriente Médio caso petroleiros iranianos sejam novamente alvo de ações militares.
Na sexta-feira (8), um caça americano disparou contra dois navios iranianos, segundo autoridades de Teerã, inutilizando as embarcações. "Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos resultará em um forte ataque contra um dos centros americanos na região e contra navios inimigos", afirmou a Guarda Revolucionária.
O Irã mantém o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo para transporte de petróleo, gás e fertilizantes, como forma de pressionar economicamente os Estados Unidos e seus aliados. Em resposta, a Marinha americana intensificou operações de bloqueio e interceptação de navios ligados ao Irã.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego & Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.




