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'O hantavírus não é como a covid', diz médica que trata de paciente

Surto foi detectado em diagnósticos de passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius; três mortes foram registradas

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Imagem ilustrativa - Pixabay

O hantavírus, detectado entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro MV Hondius, é menos transmissível que a covid. A declaração foi feita por Karin Ellen Veldkamp, encarregada da unidade médica nos Países Baixos que trata de um dos pacientes diagnosticados.

Em uma entrevista à Agence France-Presse (AFP), a chefe de doenças infecciosas do Centro Médio Universitário de Leiden, afirmou que a unidade está preparada para receber mais pacientes, se for necessário.

Questionada sobre o temor de que o hantavírus possa se tornar "a nova covid", a especialista foi clara: "Não, não é assim. Não se transmite facilmente de pessoa para pessoa", disse. "Sabemos que a transmissão entre pessoas é possível e suspeitamos que aconteceu no navio (...), mas não é como a covid, a transmissão é muito mais fácil", acrescentou Veldkamp.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou, nesta quinta-feira (7), cinco infecções por hantavírus entre passageiros e tripulantes do navio de cruzeiro. Sobre o paciente que deu entrada no hospital, na quarta (6), a médica se recusou a dar detalhes, mas afirmou que o centro sanitário está bem preparado para este tipo de caso.

Ela explicou que os pacientes são isolados em quartos individuais, atendidos por pessoas altamente capacitadas e sob estritos protocolos de controle de infecções. "Nosso princípio é simplesmente cuidar bem do paciente. Não nos negamos a entrar no quarto de isolamento. Estamos bem treinados para fazê-lo de forma segura", destacou Veldkamp.

Como protocolo, os pacientes permanecem em isolamento enquanto apresentam sintomas. Quando melhoram, são submetidos a um exame e, se o resultado é negativo, o isolamento é suspenso. "Não sabemos exatamente quanto tempo uma pessoa pode continuar portando o vírus. Mas, supomos que, uma vez que alguém se sente melhor, não é mais contagioso", disse.

Em caso de um surto do hatavírus, Veldkamp apntou que a unidade de Leiden está acostumada a tratar pacientes com doenças infecciosas similares e que há mais vagas disponíveis. "Há vários hospitais nos Países Baixos que podem fazê-lo, portanto podemos dividir a carga", concluiu.

Casos de hantavírus em navio de cruzeiro

A operadora da embarcação, Oceanwide Expeditions, informou que três passageiros foram retirados do navio. Dois deles, em estado grave, chegaram à Holanda para receber tratamento médico. O terceiro passageiro não apresenta sintomas no momento, mas está recebendo atendimento médico no país europeu.

Os passageiros retirados são um cidadão britânico, um alemão de 65 anos e um tripulante holandês de 41 anos.Três pessoas morreram desde o início da viagem: um casal holandês e um cidadão alemão.

A embarcação partiu da Argentina no mês passado com destino a Cabo Verde. Agora, ele tem como destino as Ilhas Canárias, na Espanha.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou à Reuters que a ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa. Ele acrescentou que a organização está ciente de relatos de outros pacientes e que pode haver mais casos devido ao longo período de incubação do vírus.

*Com informações da AFP. 

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.