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Hantavírus: novo caso suspeito é identificado em ilha mais remota do mundo

Caso suspeito foi reportado na ilha de Tristan da Cunha, uma das paradas do cruzeiro MV Hondius

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This handout picture released by Argentina's Health Ministry shows a scientist from the Malbrán Institute holding a container used to diagnose the Andes hantavirus, which contains RNA from the Andes virus as part of the detection process, in Buenos Aires on May 6, 2026. Argentina has seen an increase in hantavirus cases but not an outbreak, an expert told AFP on May 6, as infections aboard a cruise ship have provoked a global health scare. The MV Hondius set sail from Ushuaia in southern Argentina on April 1 and is currently anchored off the coast of Cape Verde after three passengers died, possibly of hantavirus. (Photo by Handout / ARGENTINE HEALTH MINISTRY / AFP) / XGTY / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO /Argentina's Health Ministry" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
Cruzeiro MV Hondius partiu da Argentina no dia 1º de abril • AFP

Um novo caso suspeito de hantavírus foi identificado nesta sexta-feira (8) na ilha de Tristan da Cunha, no Atlântico Sul, segundo as autoridades de saúde do Reino Unido. O local é considerado como o território habitado mais remoto do mundo e foi uma das paradas do cruzeiro MV Hondius.

O paciente sob suspeita é um cidadão britânico. A UK Health Security Agency (UKHSA) ainda não deu mais detalhes sobre o caso.

Uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM, internada com sintomas de hantavírus, testou negativo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela teve contato com um dos passageiros do cruzeiro que morreu e teve o diagnóstico confirmado para a doença.

Até o momento, o MV Hondius registrou três mortes. O primeiro óbito foi de um holandês de 70 anos, que morreu a bordo do cruzeiro em 11 de abril, por insuficiência respiratória.

A esposa dele, de 69 anos, desembarcou em Joanesburgo no dia 24 de abril e morreu um dia depois. Entre os passageiros do cruzeiro que morreram, ela é a única com diagnóstico confirmado de hantavírus. O terceiro óbito registrado foi de um alemão, que morreu a bordo do navio, no dia 2 de maio.

Até agora, há cinco passageiros com diagnóstico positivo para hantavírus. São dois britânicos, um holandês e um suíço. Eles estão em tratamento hospitalar no Reino Unido, na Holanda e na Suíça, respectivamente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o risco de propagação para a população em geral como "absolutamente baixo". O porta-voz Christian Lindmeier reforçou que "não se trata de uma nova covid".

O MV Hondius partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril, com 88 passageiros e 59 tripulantes de 23 nacionalidades. A operadora de turismo Oceanwide, responsável pela embarcação, afirmou nessa quinta-feira (7) que não há passageiros com sintomas a bordo. O navio deve atracar em Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo (10).

O que é o hantavírus?

O hantavírus está associado à síndrome cardiopulmonar, principalmente nas Américas. O infectologista Leandro Curi explica que se trata de "uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato com roedores silvestres infectados, especialmente por meio da inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva desses animais".

Segundo ele, a doença causa sintomas hemorrágicos devido à queda das plaquetas no sangue, "um mecanismo que também pode ser observado em infecções como dengue, malária e febre amarela". No Brasil, "os casos se concentram principalmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, seguidas pelo Sudeste, onde há maior registro da doença, geralmente associada a áreas rurais ou locais com maior exposição a roedores".

A síndrome cardiopulmonar relacionada ao vírus acomete principalmente os pulmões e o sistema cardiovascular. "Trata-se de uma infecção com alta taxa de letalidade, variando entre 30% e 50%, o que significa que pode levar à morte uma parcela significativa dos pacientes infectados", afirma o profissional.

Quanto ao tratamento, o infectologista diz que não há tratamento específico para hantavírus. "O manejo é baseado em medidas de suporte intensivo, especialmente em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso das funções respiratória e cardiovascular."

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.