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Hantavírus: 94 passageiros e tripulantes de navio afetado são repatriados

Operação está prevista para finalizar nesta segunda-feira (11), quando partirão os últimos dois voos e o navio zarpará para os Países Baixos

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Mais da metade dos 150 passageiros e tripulantes do Hondius, o cruzeiro afetado por um surto de hantavírus, foram repatriados neste domingo (10). Agora, 94 pessoas iniciaram o retorno para a casa, saíndo de Tenerife, nas Ilhas Canárias, na Espanha. A operação de repatriação está prevista para finalizar nesta segunda-feira (11) quando partirão os últimos dois voos e o navio zarpará rumo aos Países Baixos.

O anúncio foi feito pela ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, afirmando que a ação aconteceu "com total segurança". "94 pessoas desembarcaram, de 19 nacionalidades. A operação transcorreu com total normalidade, com total segurança", disse García, ao fim deste domingo, no porto de Granadilla de Abona.

A única preocupação durante a operação foi quando um dos franceses evacuados apresentou "sintomas" típicos de infecção por hantavírus ao desembarcar no país natal. A informação vou divulgada pelo primeiro-minsitro da França, Sébastien Lecornu.

As repatriações foram realizadas a partir do do aeroporto de Tenerife Sul e por nacionalidades — começando pelos passageiros espanhóis e estava previsto para terminar com os norte-americanos. Desde então, partiram voos para França, Países Baixos, Canadá, Irlanda, Turquia e Reino Unido.

Os britânicos aterrissaram neste domingo em Manchester e devem permanecer em quarentena por até 72 horas, perto de Liverpool.

Está previsto para decolar os dois últimos voos na segunda-feira: um australiano e outro holandês. As 19h (15h de Brasília) de segunda é o horário limite estabelecido para que o Hondius deixe o porto de Granadilla de Abona com destino aos Países Baixos, levando cerca de 30 tripulantes.

Ambiente no navio 'não era preocupante'

Durante este primeiro dia de operação, marcado por um amplo esquema sanitário e logístico, dezenas de passageiros desembarcaram em pequenos grupos do navio, ancorado nesse porto industrial, e foram transportados em lanchas até terra antes de seguirem para o aeroporto.

“Se tudo continuar conforme o previsto (...) às 19h de segunda-feira o navio zarpará rumo aos Países Baixos”, sua base, declarou a diretora da Proteção Civil, Virginia Barcones.

O argentino repatriado Carlo Ferello minimizou a gravidade da situação vivida a bordo. O ambiente não era “preocupante, na verdade”, afirmou ao canal TN, ao destacar que, após os primeiros contágios, “não apareceram mais casos”.

“Eu estava sozinho (...), não tinha muito contato. A vida seguiu de maneira bastante normal”, acrescentou esse engenheiro aposentado, que cumprirá quarentena nos Países Baixos.

O primeiro grupo a deixar o cruzeiro foi o dos 14 espanhóis, transportados ao aeroporto em ônibus especiais da Unidade Militar de Emergências (UME), adaptados com separação sanitária.

Após serem desinfectados e trocarem seus trajes de proteção, eles voaram para Madri e foram internados em um hospital militar para cumprir quarentena.

Hantavírus 'não é covid'

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, presente em Tenerife, destacou a cooperação entre os países e reiterou que “o risco atual para a saúde pública continua sendo baixo”.

Segundo as autoridades sanitárias, os passageiros permanecem majoritariamente assintomáticos, embora tenham sido classificados como “contatos de alto risco” e devam cumprir quarentena ao chegarem ao destino.

Com exceção dos americanos, que não serão necessariamente colocados em quarentena, uma decisão que envolve riscos, avaliou o diretor-geral da OMS.

"Isso não é covid", justificou Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, pedindo à população que mantenha a calma.

O último balanço da OMS contabiliza seis casos confirmados entre oito suspeitos, incluindo três mortos - dois passageiros holandeses e uma alemã - por esse vírus raro, para o qual não existe vacina.

O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, permanece ancorado sem atracar, a pedido das autoridades regionais das Ilhas Canárias, que manifestaram rejeição à operação por motivos de segurança sanitária.

No entanto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, defendeu a operação, destacando que a Espanha "responderá com exemplaridade e eficácia" em uma crise que volta a colocar o país sob atenção internacional.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.