Belo Horizonte
Itatiaia

Após suspeita de hantavírus militares britânicos saltam de paraquedas em ilha isolada

Operação inédita de emergência foi feita em Tristão da Cunha, considerada a ilha habitada mais isolada do mundo

Por
Retirada de passageiros do navio é feita nas Ilhas Canárias após surto de hantavírus • Foto por ANTONIO SEMPERE / AFP

Militares do Reino Unido realizaram uma operação inédita de emergência em Tristão da Cunha, considerada a ilha habitada mais isolada do mundo, após a suspeita de um caso de hantavírus no local.

Seis paraquedistas e dois médicos militares foram lançados de paraquedas na ilha para entregar cilindros de oxigênio, equipamentos hospitalares e prestar atendimento médico emergencial.

A missão foi realizada por uma aeronave da Força Aérea britânica, que saiu da Inglaterra, fez escala na Ilha de Ascensão e seguiu até Tristão da Cunha, no meio do Atlântico Sul. Durante o percurso, o avião precisou ser reabastecido ainda no ar para completar a viagem.

De acordo com o governo britânico, esta foi a primeira vez que o país realizou uma operação humanitária desse tipo com médicos enviados por lançamento aéreo.

Os suprimentos foram levados para atender principalmente um cidadão britânico que esteve a bordo do cruzeiro afetado pelo surto de hantavírus e passou pela ilha em abril.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que o homem apresentou sintomas compatíveis com a doença em 28 de abril, mas permanece estável e isolado.

Em comunicado, o Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que os estoques de oxigênio da ilha estavam próximos do fim e que o envio aéreo era a única forma de garantir atendimento rápido ao paciente.

Tristão da Cunha tem cerca de 200 moradores e fica localizada entre a África do Sul e a América do Sul. A ilha não possui aeroporto e normalmente só pode ser acessada por navio, o que dificulta operações de emergência.

Antes da missão, testes para detectar hantavírus já haviam sido enviados para a Ilha de Ascensão, onde outro passageiro do mesmo cruzeiro desembarcou antes de seguir para a África do Sul.

O brigadeiro Ed Cartwright afirmou que a chegada da equipe militar e dos suprimentos ajudou a tranquilizar os moradores da ilha.

Cruzeiro com surto de hantavírus chega às Ilhas Canárias

O navio de cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus que deixou três mortos, chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, para iniciar a retirada de passageiros e parte da tripulação.

O desembarque começou durante a madrugada sob forte esquema de segurança sanitária. Os passageiros passam por exames ainda a bordo antes de serem levados em grupos isolados até o aeroporto de Tenerife, de onde seguem em voos organizados por seus países.

A OMS acompanha a operação e informou que o risco para a população local é considerado baixo. Mesmo assim, moradores da região demonstraram preocupação com a chegada da embarcação.

Até o momento, seis casos de hantavírus foram confirmados no cruzeiro. A doença pode provocar febre, dores no corpo e complicações respiratórias graves.

O hantavírus normalmente é transmitido pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. No entanto, a cepa identificada no navio também apresenta possibilidade de transmissão entre pessoas.

Entre os infectados estão um britânico internado na África do Sul e uma passageira alemã que morreu durante a viagem. Outros países monitoram passageiros e pessoas que tiveram contato com viajantes do cruzeiro.

 

Por

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu conteúdos para as editorias Turismo, Gastronomia e Emprego & Concursos. Atualmente, colabora com as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo.