Tenda de tratamento do ebola é alvo de incêndio criminoso no Congo
Ataque aconteceu no epicentro do surto da variante Bundibugyo; 18 pessoas com suspeita de infecção fugiram após o ataque na unidade de saúde

Uma tenda usada no tratamento de pacientes com ebola foi incendiada pela segunda vez em menos de uma semana no leste da República Democrática do Congo, na África. O ataque acontece em meio ao avanço de um surto da variante Bundibungyo, uma forma rara do vírus que não há vacina aprovada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nessa sexta-feira (22), que o nível de risco da epidemia no ebola na República Democrática do Congo passou de "alto" para "muito alto" — o nível máximo da escala. O surto no país já registrou 750 casos suspeitos e 177 mortes.
Autoridades locais divulgaram que o incêndio criminoso aconteceu na noite de sexta-feira (22), na cidade de Mongbwalu, considerada o epicentro do surto. Homens não identificados atearam fogo à estrutura montada pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras, destinada para atender casos suspeitos e confirmados da doença.
Após o ataque, 18 pessoas com suspeita de infecção fugiram da unidade de saúde e desapareceram, segundo o diretor do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, Richard Lokudi.
O episódio aconteceu um dia após um outro centro de tratamento, na cidade de Rwampara, também ter sido alvo de um incêndio criminoso. Relatos locais apontam que o ataque aconteceu após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um morador morto pela doença.
Os cadáveres de vítimas de Ebola podem continuar sendo altamente contagiosos, especialmente durante rituais funerários e preparação para enterros. Por isso, autoridades sanitárias restringem velórios tradicionais e realizam sepultamentos controlados. A medida, geralmente, gera tensão com comunidades locais.
Neste sábado (23), enterros de vítimas do Ebola aconteceram em Rwampara sob um esquema de segurança. Equipes da Cruz Vermelha relataram resistência de moradores durante as operações.
Surto em países africanos
O surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda foi declarado em 18 de maio, pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Não é a primeira vez que a África registra surtos do vírus. A OMS classifica o surto de Ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus, em 1976.
À época, houve mais casos e mortes do que em todos os outros surtos combinados. A doença também se espalhou entre países, começando na Guiné e atravessando fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.
O ebola já provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos.
O que é o ebola?
Ebola é uma doença rara e mortal, causada por um vírus que, normalmente, infecta animais, geralmetne morcegos frugívoros. Mas, surtos entre humanos às vezes podem começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.
Os sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer, surgindo repentinamente e começam como se fosse uma gripe, com dor de cabeça, febre e cansaço.
À medida que a doença progride, o paciente pode apresentar vômitos e diarreira, podendo levar à falência de órgãos. Algumas pessoas podem desenvolver hemorragias internas e externas.
O vírus se espalha pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



