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Vacina contra variante rara do ebola é desenvolvida por cientistas britânicos

Cepa chamada Bundibugyo atinge países africados e ainda não tem imunizante com eficácia comprovada; Congo registra mais de 170 mortes

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Trabalhadores da saúde na República Democrática do Congo
Trabalhadores da saúde na República Democrática do Congo • SEROS MUYISA / AFP

Uma nova vacina contra o vírus ebola está sendo desenvolvida por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido. O imunizante deve ficar pronto para testes clínicos em dois a três meses e pode ajudar a enfrentar a epidemia que atinge países africanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nessa sexta-feira (22), que o nível de risco da epidemia no ebola na República Democrática do Congo passou de "alto" para "muito alto" — o nível máximo da escala. O surto no país já registrou 750 casos suspeitos e 177 mortes.

A variante Bundibugyo do ebola é a responsável pelo avanço dos casos. A cepa do vírus é rara e ainda não possui vacidas validadas em testes.

Os cientistas responsáveis pelo novo imunizante afirmam trabalhar em ritmo acelerado, caso o surto saia do controle e a vacina experimetnal precise ser utilizada. A vacina ainda precisará passar por testes em animais e testes clínicos em humanos para confirmar a eficácia.

Mesma tecnologia usada contra covid-19

A vacina que está sendo desenvolvida em Oxford utiliza a mesma tecnologia trabalhada pelos cientistas durante a pandemia de covid-19, conhecida como ChAdOx1. Durante a pandemia, ela foi carregada com código genético do coronavírus. Agora, os pesquisadores utilizaram material genético da variante Bundibugyo do ebola.

A tecnologia consiste em empregar um vírus de resfriado comum que normalmente infecta chimpanzés, mas que foi modificado geneticamente para se tornar seguro para humanos. Os cientistas usam esse vírus da gripe modificado para transportar e entregar às células informações genéticas importantes sobre o vírus ebola Bundibugyo. Assim, o organismo aprende a reconhecer e combater a doença real.

O imunizante não provoca infecção nem sintomas de ebola, mas prepara o sistema imunológico para oferecer proteção. Uma outra vacina contra a Bundibugyo também está em desenvolvimento, mas a previsão é que leve entre seis e nove meses para ficar pronto para testes.

Surto em países africanos

O surto de ebola na República Democrática do Congo e em Uganda foi declarado em 18 de maio, pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Não é a primeira vez que a África registra surtos do vírus. A OMS classifica o surto de Ebola registrado entre 2014 e 2016 na África Ocidental como o maior e mais complexo desde a descoberta do vírus, em 1976.

À época, houve mais casos e mortes do que em todos os outros surtos combinados. A doença também se espalhou entre países, começando na Guiné e atravessando fronteiras terrestres para Serra Leoa e Libéria.

O ebola já provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos.

O que é o ebola?

Ebola é uma doença rara e mortal, causada por um vírus que, normalmente, infecta animais, geralmetne morcegos frugívoros. Mas, surtos entre humanos às vezes podem começar quando as pessoas comem ou manuseiam animais infectados.

Os sintomas levam de dois a 21 dias para aparecer, surgindo repentinamente e começam como se fosse uma gripe, com dor de cabeça, febre e cansaço.

À medida que a doença progride, o paciente pode apresentar vômitos e diarreira, podendo levar à falência de órgãos. Algumas pessoas podem desenvolver hemorragias internas e externas.

O vírus se espalha pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue ou vômito.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.