OMS eleva risco de ebola no Congo para nível máximo de alerta
País africano tem 82 casos e sete mortes confirmadas; não há vacina ou tratamento autorizado para combater a cepa do vírus

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, nesta sexta-feira (22), que o nível de risco da epidemia de ebola na República Democrática do Congo passou de "alto" para "muito alto", o nível máximo da escala. Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou que a epidemia no país africano "está se espalhando rapidamente".
Ghebreyesus explicou que a OMS havia avaliado, anteriormente, o risco como alto no níveis nacional e regional, enquanto o risco global era baixo. "Agora, estamos revisando nossa avaliação de risco para classificá-lo como muito alto no nível nacional, alto no nível regional e baixo no nível global", disse.
A OMS declarou, no sábado (18), o surto de Ebola, causada pelo vírus Bundibugyo, na República Democrática do Congo e em Uganda como emergência de saúde pública internacional. Até o momento, 82 casos foram confirmados, incluindo sete mortes no Congo. O país também possui 750 casos suspeitos e 177 mortes sendo investigadas.
Enquanto isso, o diretor-geral da OMS informou que a situação em Uganda está atualmente "estável, com dois casos confirmados e uma morte notificada". O ebola já provocou mais de 15 mil mortes na África nos últimos 50 anos.
Na ausência de uma vacina e de um tratamento autorizado para a cepa Bundibugyo do vírus, responsável pelo surto atual, estão sendo feitos esforços para conter a disseminação por meio de medidas de contenção e detecção rápida de casos.
Falta de testes dificulta combate ao ebola no Congo
A representante da OMS no Congo, Anne Ancia, afirmou nesta semana que a região afetada consegue realizar somente seis testes por hora para identificar a cepa Bundibugyo, variante rara do ebola. Até o momento, não existem vacinas ou tratamentos aprovados. "Levou semanas para detectar o surto porque os testes usados na região eram voltados à cepa Zaire, que é mais comum", explicou.
Com o cenário epidêmico, a OMS divulgou que já enviou 12 toneladas de materiais médicos ao Congo e outras seis toneladas chegaram ao país, que incluem:
- Equipamentos de proteção individual para profissionais de saúde;
- Materiais para coleta de amostras;
- Insumos laboratoriais;
- Itens usados no rastreamento de contatos.
A OMS alerta para dificuldades financeiras na resposta ao surto. A representante no Congo afirmou que a redução global de recursos para saúde teve impacto direto nas operações da organização no Congo. Ancia ainda citou a saída oficial dos Estados Unidos da OMS, em janeiro deste ano, e os cortes em financiamentos internacionais — promovidos pelo governo de Donald Trump.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



