Paraguai: ex-presidente Santiago Peña está preso em dormitório sem grades e pode usar celular
Destituído na última sexta-feira (6), Peña é investigado por suposta responsabilidade na grave crise bancária que atinge o país, após a queba do Ueno Bank, maior banco digital do país

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, está preso desde a última sexta-feira (6). Ele é investigado por suposta responsabilidade na grave crise bancária que atinge o país, após a quebra do Ueno Bank, que deixou milhões de pessoas sem acesso às próprias contas e depósitos. Peña está em um dormitório comum do Regime Escolta Presidencial (REP), em Assunção, com liberdade para usar o celular e receber visitas.
Os detalhes sobre as características da prisão foram divulgadas pelo comandante da unidade, coronel José Dayub, em entrevista à rádio 1020 AM do Paraguai. De acordo com ele, o quarto tem uma porta comum com chave, sem grades, e o quartel não dispõe de instalações penitenciárias, nem abriga outros presos.
Santiago Peña, de 47 anos, sofreu impeachment pelo Senado ainda na sexta-feira (6). Na véspera, ele havia enviado uma carta renunciando à Presidência. A Constituição do Paraguai prevê que o Congresso tenha o poder de aceitar ou não a decisão do presidente — que, neste caso, foi negada.
Em seguida, foi aprovada a abertura do processo de impeachment contra ele, para que Peña não tivesse mais imunidade parlamentar. Preso logo após a destituição, Peña deveria ficar em casa, mas os protestos levaram a Polícia Nacional a transferi-lo para o REP. No sábado (7), ele se recusou a depor na Promotoria e no tribunal.
Na mesma data, o juiz Humberto Otazú decretou a prisão preventiva pedida pelos promotores, que apontaram risco de fuga por causa de residências e contas no exterior. O magistrado também bloqueou bens e contar de Peña e do ex-presidente do Banco Central do Paraguai (BCP) Carlos Carvallo, preso no mesmo caso.
Envolvimento de Peña com Ueno Bank
O Ueno Bank, um dos principais bancos do Paraguai e o maior banco digital do país, administrava quase US$ 850 milhões (cerca de R$ 5 bilhões) em recursos públicos, incluindo dinheiro da Previdência e do Ministério da Saúde.
Santiago Peña foi acionista até março de 2025 do grupo proprietário do Ueno Bank, que contava com cerca de 3 milhões de clientes.
A oposição acusa Santiago Peña, entre outros pontos, de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central.
O Ueno Bank fechou na última terça-feira (3), após o Banco Central, na véspera, iniciar um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.
Na quinta-feira (5), o Ministério Público do Paraguai abriu uma investigação contra o ex-presidente para apurar supostas irregularidades relacionas a instituição financeira, uma das principais do país.
O Ministério Público também solicitou relatórios financeiros e societários à Seprelad (Secretaria de Prevenção à Lavagem de Dinheiro ou de Bens) sobre os 27 denunciados e 20 empresas.
Na última semana, o presidente do Banco Central , Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, renunciou ao cargo, enquanto oito diretores do Ueno Bank foram presos.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



