Ataque de atirador 'fascinado pela extrema-direita' deixa seis mortos em Cracóvia
Homem invadiu a Praça do Mercado Principal de carro e disparou aleatoriamente contra a multidão no pior ataque na Polônia desde o fim do comunismo

Um homem "fascinado por ideologias de extrema-direita" matou, neste sábado (7), seis pessoas e feriu outras 16, ao abrir fogo no centro histórico de Cracóvia, no pior ataque a tiros registrado na Polônia desde a queda do comunismo.
Os agentes atiraram no agressor, que foi hospitalizado, informou a polícia. No momento do ataque, ele vestia roupas militares e portava uma arma longa.
Em seu veículo, "os policiais encontraram outras armas de fogo e grande quantidade de munição", declarou Katarzyna Cislo, porta‑voz da polícia de Cracóvia, ao canal privado TVN24.
"Tudo indica que o agressor tinha opiniões muito, muito radicais" e que estava "fascinado por ideologias de extrema-direita", informou o ministro do Interior polonês, Marcin Kierwiński, durante uma coletiva de imprensa em Cracóvia.
O ministro também detalhou que 16 pessoas foram hospitalizadas após o ataque, entre elas cinco estrangeiros. Entre as vítimas fatais também está um estrangeiro.
Segunda cidade mais populosa e antiga capital da Polônia, Cracóvia é a principal atração turística do país, com 16,5 milhões de visitantes registrados no ano passado.
Uma tragédia para Cracóvia
As autoridades não detalharam a motivação e as nacionalidades das vítimas do ataque, o mais mortal registrado na Polônia desde a queda do comunismo, em 1989.
Annette, uma mulher de cerca de 60 anos, contou ter visto "um homem atirando nas pessoas e caminhando pela praça".
"É uma tragédia para Cracóvia, nunca vimos algo assim", afirmou. Assim como ela, muitas pessoas presentes na praça estavam em choque, chorando e abrigadas nas lojas do centro histórico dessa cidade, que em 2025 recebeu 16,2 milhões de turistas.
O primeiro‑ministro polonês, Donald Tusk, lamentou "um ataque a tiros trágico" e assegurou que "a polícia está investigando os antecedentes e todas as circunstâncias do ataque".
O porta-voz do governo, Adam Szlapka, anunciou que Tusk estava se deslocando para a cidade. "O acontecimento de hoje em Cracóvia chocou toda a Polônia", escreveu no X.
O presidente polonês, o nacionalista conservador Karol Nawrocki, expressou, por sua vez, sua "enorme preocupação" com o incidente. "Espero explicações completas sobre as circunstâncias desses acontecimentos dramáticos", publicou Nawrocki no X.
"A segurança dos poloneses é uma prioridade absoluta", acrescentou o presidente, que mantém relações muito complicadas com o governo centrista e pró-europeu de Tusk.
Culto à violência
Ataques a tiros são pouco frequentes neste país da Europa Central, de 38 milhões de habitantes, membro da União Europeia e da Otan.
No entanto, uma série de esfaqueamentos em outubro deixou a Polônia em estado de alerta máximo.
Tusk atribuiu esses incidentes a um crescente "culto à violência" no mundo, que "também chegou à Polônia".
Varsóvia, uma aliada firme da Ucrânia desde a invasão russa de 2022, advertiu reiteradamente sobre sabotagens russas e uma guerra híbrida em seu território, acusações que Moscou refuta.
O país também registra um forte aumento no número de licenças de porte de arma de fogo. Em 2025, foram emitidas mais de 50 mil novas licenças, elevando o total a 411 mil, segundo dados da polícia.
Vários líderes europeus enviaram mensagens de apoio a Varsóvia. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, manifestou sua "solidariedade", e o chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou que seu país "está lado a lado com a Polônia, como amigo e aliado".
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