Belo Horizonte
Itatiaia

Oriente Médio: EUA, Irã e Paquistão celebram negociações trilaterais

Tratativas tentam pôr fim a uma guerra no Oriente Médio que está sob cessar-fogo por duas semanas

Por
Vice-presidente dos EUA, JD Vance, presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif
Vice-presidente dos EUA, JD Vance, presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif • Reprodução / Redes Sociais

Os Estados Unidos, o Irã e o Paquistão celebram negociações trilaterais em Islamabad neste sábado (11). As tratativas tentam pôr fim a uma guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro, que impactou a economica mundial. O conflito está sob um cessar-fogo de duas semanas, anunciado na última terça-feira (7).

As três partes estão conversando diretamente, informou um funcionário do alto escalão da Casa Branca, não não especificando quais representantes iranianos ou paquistaneses estão participando. A reunião representa uma mudança, visto que Washington e Teerã vinham negociando apenas com a ajuda de um mediador, em salas separadas.

Agências de notícias iranianas informaram anteriormente que as negociações começaram após "progressos alcançados durante as discussões preliminares e uma redução nos ataques do regime sionista no sul de Beirute, no Líbano". Elas se referem a Israel.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse, mais cedo neste sábado (11), ter se reunido ao meio-dia com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que lidera a delegação americana juntamente com o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump.

Sharif também se reuniu no Hotel Serena com a delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e incluindo o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

O Paquistão é o país mediador das negociações e espera que o diálogo leve a "uma paz duradoura na região". Apesar da trégua anunciada na terça, os países seguem com opiniões divergentes em questões cruciais como as sanções, a situação no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Sábado é marcado por 'progressos', mas com cautela

Segundo divulgado por agências de notícias do Irã, as negociações de sábado tiveram alguns "progressos", destacando que os Estados Unidos concordaram em liberar "bens iranianos e a necessidade de discussões técnicas e especializadas mais abrangentes sobre o assunto".

Porém, pouco antes, um funcionário norte-americano negou que Washington tivesse concordado em descongelá-los. "Temos boas intenções, mas não confiamos neles", declarou Ghalibaf, citado pela televisão iraniana ao chegar à capital paquistanesa.

"Nossa experiência em negociações com os americanos sempre foi marcada por fracassos e promessas quebradas", afirmou o presidente do Parlamento iraniano.

Mesmo com progessos, autoridades dos três países tratam a situação com cautela. O ministro das Relações Exteriores iraniano disse ao seu homólogo alemão em um telefonema que "o Irã está entrando nas negociações com total desconfiança", informou a Tasnim.

O vice-presidente dos EUA também expressou cautela antes de partir de Washington. "Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa-fé, certamente estaremos dispostos a estender a mão", declarou. "Se eles tentarem nos enganar, verão que a equipe de negociação não está tão receptiva", acrescentou Vance.

Cessar-fogo entre EUA e Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou, na terça-feira (7) em suspender os ataques ao Irã por duas semanas após analisar proposta de cessar-fogo intermediada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. A informação foi divulgada pelo republicado na Truth Social. Trump havia dado um ultimato ao Irã, ao ameaçar "destruir uma civilização inteira" caso o país não abrisse o Estreito de Ormuz até as 21h de terça no horário de Brasília.

"Este será um cessar-fogo bilateral! A razão para tal é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares e estamos muito avançados em um acordo definitivo sobre a paz a longo prazo com o Irã e a paz no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela constitui uma base viável para a negociação. Quase todos os pontos de discórdia anteriores foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e consolidado", escreveu Trump.

Ao lado do Egito, Turquia e Arábia Saudita, o Paquistão tem atuado como mediador na tentativa de reduzir as tensões no Oriente Médio. Conforme Sharif, os esforços diplomáticos avançam de forma “constante, firme e eficaz”, com potencial para resultados concretos no curto prazo.

Entenda o conflito no Oriente Médio

Por

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.