ONU: Rússia fala em impedir os EUA, e China pede liberdade de Maduro

Aliados defendem soberania da Venezuela e repudiam operação dos Estados Unidos que resultou na captura de Maduro

Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta segunda-feira (5)

Os embaixadores da Rússia e da China na Organização das Nações Unidas (ONU) saíram em defesa da Venezuela e do seu presidente Nicolás Maduro durante reunião do Conselho de Segurança nesta segunda-feira (5). O encontro do colegiado foi convocado após a operação americana que resultou na captura de Maduro.

Vasily Nebenzya, da Rússia, disse que o mundo precisa “impedir” que os Estados Unidos se tornem uma espécie de “juiz supremo” e que, sozinhos, possam invadir qualquer país sem o devido cuidado com o direito internacional. “Será que as Nações Unidas e o Conselho de Segurança não existem mais e há uma necessidade de seguir, apenas, as regras de Washington, por assim dizer?”, questionou.

Já o embaixador da China, Fu Cong, disse que Pequim está chocada com a ofensiva na Venezuela e reforçou o pedido do governo de Xi Jinping para que Maduro seja libertado “imediatamente”. Ele também defendeu que a soberania da venezuelana seja respeitada.

A operação militar dos Estados Unidos no último sábado (3), resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. A ofensiva americana ocorreu após meses de tensão entre os dois países, com intensa mobilização de tropas no mar do caribe e ações contra barcos que, supostamente, seriam do narcotráfico.

A ofensiva começou logo na madrugada, com o emprego de mais de 150 aeronaves em coordenação, decolando de mais de 20 pontos, incluindo o porta-aviões nuclear USS Gerald Ford. Os Estados Unidos bombardearam alvos militares para abrir caminho para soldados de elite chegarem ao palácio presidencial. No local, em 47 segundos Maduro foi capturado.

Maduro foi levado para julgamento em um Tribunal Federal em Nova York, onde responde por uma série de crimes. A primeira audiência ocorre nesta segunda-feira (5), sendo conduzida pelo juiz Alvin Hellerstein.

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Em coletiva, Trump afirmou que os EUA vão governar a Venezuela até que haja uma transição democrática no país. Ele também ressaltou o interesse nas reservas de petróleo, e afirmou que empresas americanas vão voltar a operar em território venezuelano. Atualmente, a petrolífera americana Chevron já opera com autorização especial, mas empresas como Exxon Mobil foram expropriadas do país.

Sem Maduro, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu o governo do país. Em pronunciamento, ela afirmou que a Venezuela vai se defender da ofensiva americana e que “jamais será colônia de nenhuma nação”. “Nós estamos prontos para defender a Venezuela, nós estamos prontos para defender nossos recursos naturais, que devem ser para o desenvolvimento nacional”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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