‘O chão tremeu': moradores relatam como sentiram a operação militar dos EUA na Venezuela

Explosões, apagões e falta de informação marcaram a madrugada em Caracas e outras cidades, segundo testemunhos

Ataques na Venezuela aconteceram na madrugada deste sábado (3)

Moradores de Caracas e de outras cidades da Venezuela viveram horas de medo, confusão e incerteza após a operação militar dos Estados Unidos que terminou com a captura e a saída do país do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Relatos apontam explosões, apagões, ruas vazias e dificuldades de comunicação em meio a um clima de forte tensão.

Durante a madrugada deste sábado (3), a capital venezuelana e regiões próximas ficaram praticamente às escuras. Bombardeios, sobrevoo de aviões e incêndios foram descritos por quem estava nas ruas ou em casa. A falta de informações oficiais aumentou a ansiedade da população, que recorreu às redes sociais e a jornalistas no exterior para entender o que estava acontecendo, conforme relatos colhidos pelo site de notícias Infobae.

Um morador de Caracas, identificado apenas como Ricardo, contou ao periódico que teve dificuldade para voltar para casa. Segundo ele, a cidade estava tomada pelo caos, com ruas sem iluminação, trânsito inexistente e sinais de incêndio na base aérea de La Carlota. Ele disse que parte da família segue incomunicável por falta de energia e sinal de telefone.

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Na paróquia de San Juan, a sensação foi de medo constante. Uma mulher identificada como Milagros relatou que ouviu aviões e explosões durante a madrugada e criticou o silêncio dos canais de televisão do país. De acordo com ela, enquanto emissoras estatais falavam sobre o caso, outros canais mantinham a programação normal. Moradores do prédio preferiram não sair de casa e evitar conversas, por receio de conflitos.

Em San Antonio de los Altos, cidade próxima a Caracas, a venezuelana Carmen afirmou que os ruídos foram menos intensos, mas a angústia foi a mesma. Ela destacou a falta de comunicação em várias áreas da capital e recomendou cautela, já que muitos evitam contato com pessoas fora do círculo familiar.

O clima de incerteza também chegou ao litoral. Em La Guaira, Gerardo disse que as ruas estavam vazias e que, apesar de chamados para manifestações, o mais seguro era permanecer em casa até a situação se estabilizar.

Já na região de Coche, próxima ao complexo militar de Fuerte Tiuna, Daniel descreveu uma madrugada de forte impacto. Ele afirmou que o chão chegou a tremer com as explosões e que os aviões passaram em baixa altitude sobre os prédios.

Enquanto isso, a televisão estatal exibiu apoiadores do chavismo reunidos no centro de Caracas pedindo o retorno de Maduro. Ao amanhecer, imagens feitas por moradores mostraram fumaça no horizonte e um silêncio incomum na cidade.

Repercussão

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou a captura de Maduro e informou que daria mais detalhes em uma coletiva de imprensa. O governo venezuelano classificou a ação como uma grave agressão militar e afirmou que alvos atingidos incluíram áreas nos estados de Miranda, La Guaira e Aragua, além do complexo militar de Fuerte Tiuna.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou que não sabia o paradeiro de Maduro e de Cilia Flores e cobrou provas de que ambos estariam vivos.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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