O segundo ciclo de negociações diretas entre Kiev, Moscou e Washington sobre um plano dos Estados Unidos para acabar com quase quatro anos de guerra na Ucrânia começará na próxima quarta-feira (4) em Abu Dhabi, anunciou neste domingo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
O ciclo de reuniões, que não conseguiu estabelecer uma trégua até o momento, estava inicialmente previsto para ser retomado neste domingo. O chefe de Estado ucraniano não explicou o motivo do atraso.
“As datas das próximas reuniões trilaterais foram estabelecidas: 4 e 5 de fevereiro em Abu Dhabi”, informou Zelensky na rede social X.
Os governos da Rússia e dos Estados Unidos não confirmaram as novas datas até o momento.
Washington afirma que está próximo de negociar um acordo para encerrar o conflito mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O principal obstáculo é a divergência entre Rússia e Ucrânia sobre a questão crucial do território.
A Rússia, que ocupa quase 20% do território do país vizinho, pressiona para obter o controle total da região leste de Donetsk e ameaça assumir o controle da área à força em caso de fracasso das negociações.
A Ucrânia considera que ceder território incentivará Moscou e que não assinará um acordo que não consiga dissuadir a Rússia de invadir novamente o país.
Muitos ucranianos consideram inconcebível a ideia de ceder território que seus soldados defendem há vários anos.
Inicialmente, estava previsto um encontro neste domingo em Abu Dhabi, que já recebeu nos dias 23 e 24 de janeiro um primeiro ciclo de negociações com delegações da Ucrânia, Rússia e Estados Unidos.
Estas foram as primeiras negociações diretas conhecidas entre Kiev, Moscou e Washington para tentar acabar com a guerra.
Paralelamente, o emissário do Kremlin para assuntos econômicos, Kirill Dmitriev, teve uma reunião no sábado na Flórida com o enviado especial americano, Steve Witkoff, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o genro do presidente Trump, Jared Kushner, e o conselheiro da Casa Branca Josh Gruenbaum.
“Nós nos sentimos encorajados por esta reunião, que demonstra que a Rússia está trabalhando pela paz na Ucrânia”, afirmou Witkoff. Nenhuma parte, no entanto, revelou detalhes das conversas.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022. O Kremlin descreveu a ação como uma “operação militar especial” para impedir a expansão da Otan. Na opinião de Kiev, a alegação é um pretexto para apropriar-se ilegalmente de seu território.
A guerra deixou cidades inteiras em ruínas e dezenas de milhares de soldados e civis mortos.
Maternidade bombardeada
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que pediu a Vladimir Putin que suspendesse os ataques contra Kiev até este domingo por causa da onda de frio, e sugeriu que o mandatário russo havia aceitado.
Mas, longe da mesa de negociações, a Rússia continua bombardeando várias regiões ucranianas.
Um ataque com drone russo contra um ônibus que transportava funcionários de uma mina na região de Dnipropetrovsk, no centro-leste, causou neste domingo ao menos 12 mortos e sete feridos, anunciaram os socorristas.
Zelensky classificou o bombardeio como um “crime”, em seu pronunciamento diário.
Mais cedo, um ataque com drones russos atingiu uma maternidade na cidade de Zaporizhzhia, no sul, deixando seis feridos, incluindo duas mulheres que estavam no local para uma consulta, informaram as autoridades locais.
“Dói muito porque cresci neste estabelecimento, aqui dei à luz minha filha”, declarou à AFP Svitlana Ivanchenko, chefe do serviço de ginecologia danificado, que depois caiu em lágrimas.
Em Dnipro, em Dnipropetrovsk, um homem e uma mulher morreram na madrugada de domingo em outro ataque com drones russos, anunciou o governo regional.
Perto de Mariupol, sob ocupação russa na região oriental de Donetsk, uma criança e uma mulher morreram no domingo por um drone ucraniano, segundo o responsável local nomeado por Moscou, Denis Pushilin.
O Exército russo continua avançando no leste da Ucrânia. No domingo, reivindicou a tomada do vilarejo de Sokhetske, ao norte das disputadas cidades de Pokrovsk e Mirnogrado.
*Com AFP