Irã pode apresentar nova proposta de paz em breve, aponta mediador
Mudança acontece após Estados Unidos rejeitar primeira versão do documento no último fim de semana

O Irã se prepara para apresentar para mediadores no Paquistão uma proposta de paz revisada nos próximos dias para encerrar a guerra que atinge o Oriente Médio, também envolvendo os Estados Unidos e Israel.
A informação foi divulgada pela "CNN", indicando fontes próximas ao processo de mediação. Os pontos da proposta seriam revistos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, indicar que não aceitaria uma versão anterior, apresentada no último fim de semana, que pedia o fim da guerra em primeiro lugar, enquanto a resolução de outras questões — como o programa nuclear iraniano — seriam tratadas posteriormente,
O processo é considerado lento, devido à dificuldade de comunicação com o líder supremo Mojtaba Khamenei. Porém, as fontes indicaram que as negociações estão em andamento e são fluídas, apontando que dependerá do Irã apresentar uma proposta revisada que seja aceitável para os Estados Unidos.
Sob anonimato, as fontes ainda informaram que o ministro das Relações Exteriores do Irã, o, Abbas Aragchi, deve retornar a Teerã nesta terça-feira (28), após uma visita à Rússia, para consultar líderes do regime.
Conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Pouco antes do conflito completar dois meses, Irã confirmou, em 7 de abril, o acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos por duas semanas. Neste período, uma rodada de negociações para uma trégua definitiva aconteceu no Paquistão, mas os países não chegaram a um acordo.
Próximo do fim do prazo, presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu, em 21 de abril, estender o cessar-fogo firmado entre o país e o Irã “até que seus líderes e representantes apresentem uma proposta unificada”.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito em definitivo, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



