O que se sabe sobre o possível acordo entre Estados Unidos e Irã
Expectativa é de que o tratado seja assinado nos próximos dias e rodadas de negociações técnicas se iniciem

Os Estados Unidos e o Irã sinalizaram que estão próximos de fechar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima responsável pelo transporte de 70% do petróleo produzido no Golfo Pérsico. A expectativa é de que o tratado seja assinado nos próximos dias e rodadas de negociações técnicas se iniciem.
O primeiro-ministro do Paquistão, principal mediador do conflito, Shehbaz Sharif, chegou a afirmar neste sábado (13) que as negociações tiveram avanço e que o acordo seria concluído nas próximas 24 horas. Segundo ele, os países se preparam para a assinatura eletrônica do acordo de paz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o acordo está programado para ser assinado neste domingo (14), acrescentando que Ormuz será aberto “imediatamente” após a sua assinatura. Ele também afirma que os militares americanos entrarão no Irã para recolher a “poeira nuclear” destruída pelos bombardeios.
Apesar da fala do republicano, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e o Ministério das Relações Exteriores negam que o tratado será assinado e criticaram a “insistência incomum” do americano. A IRGC sugere que Trump pretendia agendar a assinatura para coincidir com seu aniversário, neste 14 de junho.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que a assinatura não vai ocorrer neste final de semana e pregou cautela em relação à “instabilidade” dos EUA. “Este não é um acordo final entre o Irã e os Estados Unidos, mas sim um memorando que descreve os principais pontos de discordância e esclarece que a guerra terminará”, explicou.
Programa Nuclear
Principal demanda dos Estados Unidos envolve o desmantelamento do programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes serão definidos nos 60 dias seguintes à assinatura do acordo. Os EUA afirmam que o Irã trabalha para construir armas atômicas, já Teerã afirma que as atividades são para geração de energia.
Reabertura de Ormuz
Outro ponto central é a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. O texto em negociação inclui medidas para restabelecer o tráfego na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia. Araghchi afirmou que o Irã pretende manter a cobrança de taxas sobre embarcações que utilizam a rota.
Em troca da abertura da rota pelo Irã, os Estados Unidos devem cancelar o bloqueio naval realizado em portos da República Islâmica. O acordo também deverá prever a retirada gradual das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.
Impasse sobre o Líbano
Apesar do avanço na frente EUA e Irã, o conflito entre Israel e o Líbano segue sem definição. Os iranianos defendem que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no país, onde os israelenses mantêm confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Nessa sexta, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país poderá continuar agindo de forma independente em relação ao Irã e não pretende retirar suas forças das áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza.
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



