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Donald Trump nega que Irã seja responsável por ataque cibernético em Minnesota

Trump culpou a 'incompetência' do estado e criticou o governador Tim Walz, enquanto documentos e reportagens indicam possível envolvimento iraniano

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Mandel Ngan/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em Camp David, que não acredita na responsabilidade do Irã por um ataque cibernético contra os sistemas de abastecimento de água de Minnesota. A afirmação contraria as suspeitas de autoridades americanas e ocorre em meio a críticas de Trump ao governador democrata Tim Walz, a quem o mandatário atribuiu "incompetência". A declaração foi dada na última sexta-feira (31).

"Ouvi dizer que houve um ataque cibernético em Minnesota, e estão culpando o Irã por isso. Eu não acho que seja o caso", disse Trump durante uma reunião de gabinete. "Acho que culpo Minnesota, porque eles são extremamente incompetentes", afirmou Trump, ao criticar Walz.

Trump não especificou a origem que ele atribui aos ataques. O escritório de imprensa da Casa Branca se recusou a fornecer detalhes sobre quem o presidente acredita ser o responsável ou qual teria sido o papel do estado de Minnesota no incidente.

Na rede social X, o governador Walz rebateu Trump, afirmando que o ex-presidente "sabe exatamente quem é responsável por esse ataque e sabe que outros estados também foram atingidos".

Walz acrescentou que o esforço "Doge" de Elon Musk "desmontou a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (Cisa) e deixou os Estados Unidos expostos a ataques cibernéticos". Ele agradeceu aos especialistas de Minnesota que "conseguiram identificar rapidamente a vulnerabilidade e trabalhar com as comunidades locais para interrompê-la".

A Cisa havia informado, no início desta semana, que estava coordenando ações com a Agência de Proteção Ambiental (EPA) e outros parceiros governamentais e do setor privado para compreender a extensão do problema e oferecer suporte.

A declaração de Trump diverge de um memorando citado pela revista Wired nessa quinta-feira (30). O documento, segundo a revista, indicava que o Centro de Fusão de Minnesota, uma entidade estadual de compartilhamento de inteligência, concluiu que os ataques de 26 e 27 de julho estavam "alinhados" com uma campanha de ciberespionagem e sabotagem supostamente ligada ao Irã.

O jornal The New York Times, citando autoridades americanas e estaduais não identificadas, reportou nesta quinta-feira (30) que investigadores acreditavam que os ataques provavelmente foram realizados por agentes de Teerã.

Especialistas em segurança cibernética e a agência de tecnologia da informação do estado de Minnesota disseram à Reuters, nesta semana, que os ataques apresentam características semelhantes às ações de hackers que visam equipamentos essenciais de instalações de água.

Sete agências do governo dos EUA, incluindo FBI, NSA, EPA e CISA, associaram esses ataques a hackers ligados ao Irã em um relatório divulgado em 22 de julho.

O FBI informou, em comunicado publicado nesta quinta-feira (30), que recebeu relatos de incidentes similares em pelo menos sete estados que, em alguns casos, "prejudicaram operações de abastecimento de água" desde 27 de julho.

Nenhuma agência federal ou estadual atribuiu oficialmente a atividade de invasão cibernética a um responsável.

O FBI afirmou, em comunicado nessa sexta-feira (31), que estava ciente das informações públicas sobre os incidentes e que trabalhava com parceiros para proteger infraestruturas críticas, declarando: "e continuamos bem preparados para nos proteger contra ameaças cibernéticas de todos os tipos".

Trump já havia politizado grandes incidentes cibernéticos anteriormente, como em 2016, quando pediu à Rússia que invadisse os e-mails de Hillary Clinton, ou ao minimizar os esforços de hackers russos durante as eleições de 2016.

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