Otan avalia plano alternativo para defender Europa após redução de apoio militar dos EUA
Aliança discute ajustes em sua estratégia após os Estados Unidos indicarem que irão priorizar ameaças no Indo-Pacífico, especialmente relacionadas à China

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estuda alternativas para reforçar a defesa da Europa diante de um eventual ataque da Rússia, após os Estados Unidos informarem que pretendem reduzir parte dos recursos militares que disponibilizariam à aliança em uma crise de segurança.
A discussão ocorre em meio à revisão das prioridades estratégicas de Washington, que tem direcionado maior atenção para a região do Indo-Pacífico e para a crescente influência militar da China.
Atualmente, a Otan opera com o chamado Modelo de Forças, mecanismo que estabelece como os recursos militares dos 32 países-membros devem ser mobilizados em cenários de paz, crise ou guerra. O plano define quais capacidades podem ser acionadas pelos comandantes da aliança ao longo dos primeiros seis meses de um eventual conflito.
No entanto, no mês passado, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos comunicou aos aliados que pretende reduzir parte de sua contribuição militar para a Otan. Segundo um oficial da aliança ouvido sob condição de anonimato, os cortes podem afetar recursos estratégicos como grupos de ataque de porta-aviões, submarinos, caças, aeronaves de patrulha marítima, aviões de reabastecimento em voo e drones.
Apesar da diminuição prevista em algumas capacidades militares, os Estados Unidos devem manter o apoio em áreas consideradas essenciais, como os sistemas espaciais utilizados para inteligência e direcionamento de alvos.
A possibilidade de redução da presença militar americana vinha sendo acompanhada com preocupação por países europeus e pelo Canadá. Desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca, aliados aguardavam esclarecimentos sobre o futuro do compromisso dos EUA com a segurança do continente.
Embora os governos europeus já esperassem algum nível de redução, ainda não tinham informações detalhadas sobre a dimensão, a velocidade e o alcance das mudanças planejadas por Washington. O comandante supremo das forças aliadas da Otan na Europa, general Alex Grynkewich, afirmou que os Estados Unidos seguem comprometidos com a aliança, ainda que com uma participação mais limitada em determinadas áreas.
Segundo o militar, a estratégia passa por ampliar rapidamente capacidades que possam ser produzidas, implantadas e sustentadas em curto prazo, incluindo sistemas de ataque de longo alcance e drones. "Os Estados Unidos continuam comprometidos em fornecer capacidades limitadas, porém essenciais, à aliança", afirmou Grynkewich durante a ILA Berlin Air Show.
De acordo com o comandante, o fortalecimento desses recursos pode ajudar a reduzir riscos imediatos e ampliar a capacidade de dissuasão e defesa da Otan diante de possíveis ameaças à segurança europeia.
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