Irã diz que acordo de paz com os EUA não será assinado neste domingo
Governo iraniano rebateu a previsão divulgada pelo Paquistão e afirmou que o memorando em negociação ainda não representa um acordo final entre os dois países

O Irã afirmou, neste sábado (13), que o acordo preliminar de paz com os Estados Unidos não deve ser assinado neste domingo (14), como informou o governo do Paquistão, mediador das negociações.
Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, destacou que o acordo "não acontecerá amanhã", mas não descartou a "possibilidade de isso acontecer nos próximos dias".
As informações são da agência de notícias semioficial iraniana Tasnim. “No entanto, devido à instabilidade da outra parte, devemos ser cautelosos com quaisquer declarações a respeito desse processo", destacou Baghaei.
“Este não é um acordo final entre o Irã e os Estados Unidos, mas sim um memorando que descreve os principais pontos de discordância e esclarece que a guerra terminará”, acrescentou o porta-voz iraniano.
A declaração de Baghaei acontece depois de o Paquistão afirmar que os temos potenciais deveriam ser finalizados nas “próximas 24 horas”.
O que se sabe sobre o acordo
Os Estados Unidos e o Irã sinalizaram que estão próximos de fechar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima responsável pelo transporte de 70% do petróleo produzido no Golfo Pérsico. A expectativa é de que o tratado seja assinado nos próximos dias e rodadas de negociações técnicas se iniciem.
O primeiro-ministro do Paquistão, principal mediador do conflito, Shehbaz Sharif, chegou a afirmar neste sábado (13) que as negociações tiveram avanço e que o acordo seria concluído nas próximas 24 horas. Segundo ele, os países se preparam para a assinatura eletrônica do acordo de paz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o acordo está programado para ser assinado neste domingo (14), acrescentando que Ormuz será aberto “imediatamente” após a sua assinatura. Ele também afirma que os militares americanos entrarão no Irã para recolher a “poeira nuclear” destruída pelos bombardeios.
Apesar da fala do republicano, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) e o Ministério das Relações Exteriores negam que o tratado será assinado e criticaram a “insistência incomum” do americano. A IRGC sugere que Trump pretendia agendar a assinatura para coincidir com seu aniversário, neste 14 de junho.
Programa Nuclear
Principal demanda dos Estados Unidos envolve o desmantelamento do programa nuclear iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os detalhes serão definidos nos 60 dias seguintes à assinatura do acordo. Os EUA afirmam que o Irã trabalha para construir armas atômicas, já Teerã afirma que as atividades são para geração de energia.
Reabertura de Ormuz
Outro ponto central é a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. O texto em negociação inclui medidas para restabelecer o tráfego na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia. Araghchi afirmou que o Irã pretende manter a cobrança de taxas sobre embarcações que utilizam a rota.
Em troca da abertura da rota pelo Irã, os Estados Unidos devem cancelar o bloqueio naval realizado em portos da República Islâmica. O acordo também deverá prever a retirada gradual das sanções impostas ao Irã e a liberação de ativos iranianos congelados.
Impasse sobre o Líbano
Apesar do avanço na frente EUA e Irã, o conflito entre Israel e o Líbano segue sem definição. Os iranianos defendem que qualquer acordo inclua um cessar-fogo no país, onde os israelenses mantêm confrontos com o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã.
Nessa sexta, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país poderá continuar agindo de forma independente em relação ao Irã e não pretende retirar suas forças das áreas que ocupa no Líbano, na Síria e em Gaza.
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