Eleições no Peru: Sánchez propõe recontagem 'de todas as atas que a legislação permita'
Com 98% das urnas apuradas, candidatos possuem 1.616 votos de diferença; Roberto Sánchez pediu apoio da opositora Keiko Fujimori no pedido de recontagem

O candidato à Presidência no Peru, Roberto Sánchez, solicitou, nesta sexta-feira (12), a "recontagem em todas as atas que a legislação permita revisar". Com aproximadamente 98% das urnas apuradas, ele está atrás da disputa, com sua opositora, Keiko Fujimori, liderando com 50,004% dos votos — tendo uma vantagem de apenas 1.616 votos.
Sánchez ainda pediu para que Fujimori se junte a ele no pedido de recontagem. A declaração foi divulgada nas redes sociais, com o candidato mais alinhado à esquerda demonstrando interesse em "formular um convite a Keiko Fujimori" para que eles se reúnam e atuem "conjuntamente em defesa da transparência e da confiança cidadã".
"A diferença atual é tão reduzida que o Peru merece que não fique nenhuma dúvida sobre a vontade expressa nas urnas", escreveu. "Por isso, proponho que solicitemos conjuntamente uma revisão exaustiva e um reconto dos votos em todas aquelas atas que a legislação permita revisar, com pleno respeito às instituições eleitorais e às normas vigentes", pede Sánchez.
O site oficial da contagem de votos aponta que apenas nove urnas estão pendentes de apuração, enquanto outras 1.595 estão marcadas como "para envio ao JJE". O JJE (Jurado Eleitoral Especial) é o órgão máximo da eleição peruana, equivalente ao TSE no Brasil.
O envio dessas urnas pode sinalziar incosistências ou possíveis erros na apuração da ata. No Peru, o voto é feito em cédulas de papel e colocado na urna. Depois, cada mesa de votação gera uma ata. Por isso, a contabilização dos votos é demorada.
Recontagem de votos
A recontagem de votos é considerada "normal" pelo órgão eleitoral peruano. Antes do segundo turno, o JJE publicou um comunicado afirmando que a declaração do novo (a) presidente do país poderia demorar.
O chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Bernardo Pachas afirmou que o (a) novo (a) presidente deve ser eleito em duas semanas, ou até o fim do mês de junho. Mesmo assim, o ritmo da apuração está dentro do padrão peruano.
As recontagens podem ser feitas por diferentes fatores, como:
- O número de cédulas eleitorais não correspondente ao de eleitores daquela mesa eleitoral;
- Quando há divergência no número de votos do boletim da ata e da urna correspondente;
- Quando os partidos concorrentes contestam o resultado da ata e a mesa eleitoral aceita a contestação.
Perfil dos candidatos

Fujimori e Sánchez representam projetos políticos antagônicos. De um lado, Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



