Faixa de Gaza: Israel proíbe acesso de 37 ONGs humanitárias na região

Medida atinge organizações como Médicos Sem Fronteiras e Oxfam e é criticada por ONU e União Europeia

Nesta vista aérea, pessoas caminham em meio à destruição na Cidade de Gaza, no norte da Faixa de Gaza, em 11 de outubro de 2025, um dia após a entrada em vigor de um cessar-fogo.

Israel confirmou, nesta quinta-feira (1º), a proibição do acesso de 37 organizações de ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Entre as entidades afetadas estão Médicos Sem Fronteiras (MSF) e Oxfam.

Segundo o governo israelense, a decisão é uma resposta à recusa das ONGs em divulgar uma lista com os nomes de seus funcionários. A exigência faz parte de uma nova regulamentação anunciada em março.

De acordo com Israel, as organizações tiveram prazo até a meia-noite de quarta (31) para quinta-feira (1º) para cumprir as normas. As que não atenderam às exigências tiveram suas licenças suspensas.

Em comunicado, o Ministério da Diáspora israelense afirmou que a principal falha identificada foi a negativa em fornecer informações completas e verificáveis sobre os funcionários das ONGs.

Ainda segundo o ministério, o objetivo da medida é impedir a infiltração de operadores terroristas nas estruturas humanitárias que atuam no território palestino.

A decisão foi criticada pelas Nações Unidas, pela União Europeia e por outros atores da comunidade internacional, que alertam para o risco de agravamento da crise humanitária em Gaza.

Além de Médicos Sem Fronteiras e Oxfam, também estão entre as organizações afetadas o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), a World Vision International e a CARE.

Em nota enviada à AFP, a MSF afirmou que adota políticas internas rigorosas para evitar desvios de ajuda ou vínculos com grupos armados.

A organização explicou, no entanto, que não enviou a lista de funcionários por não ter recebido garantias e esclarecimentos sobre o uso dessas informações, classificando o pedido como “preocupante”.

O movimento islamista palestino Hamas classificou a decisão israelense como um “comportamento criminoso” e afirmou que a medida representa uma escalada perigosa e um desrespeito ao sistema humanitário.

Acordo de cessar-fogo

Um cessar-fogo frágil está em vigor na Faixa de Gaza desde outubro, após a ofensiva israelense iniciada em resposta ao ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Apesar do acordo prever a entrada de 600 caminhões de ajuda humanitária por dia, apenas entre 100 e 300 veículos conseguem acessar o território, segundo dados das ONGs e da ONU.

Com agência AFP

(Sob supervisão de Edu Oliveira)

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Izabella Gomes é estudante de Jornalismo na PUC Minas e estagiária na Itatiaia. Atua como repórter no jornalismo digital, com foco nas editorias de Cidades, Brasil e Mundo.

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