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Congresso dos EUA pede ação de Donald Trump contra Brasil por projeto sobre big techs

Ofício foi encaminhado ao chefe do USTR, Jamieson Greer, e é encabeçado pelos congressistas Adrian Smith (Nebraska) e Jim Jordan (Ohio)

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Vista do Capitólio, o prédio do Congresso dos EUA
Vista do Capitólio, o prédio do Congresso dos EUA • Foto: Kenny Holston/The New York Times

Um grupo de 20 congressistas republicanos dos Estados Unidos enviou uma carta ao Escritório do Representante Comercial da Casa Branca (USTR), nesta quinta-feira (23), pedindo ações contra o Brasil. O motivo é o avanço do projeto de lei que regula mercados digitais e que ampliará os poderes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra práticas anticoncorrenciais de big techs.

O ofício foi encaminhado ao chefe do USTR, Jamieson Greer, e é encabeçado pelos congressistas Adrian Smith (Nebraska) e Jim Jordan (Ohio). Outros 18 parlamentares do Partido Republicano decidiram firmar a reclamação.

Eles argumentam que a proposta brasileira, enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Congresso Nacional, replica os termos de legislação europeia sobre o assunto e "oneram plataformas digitais americanas bem-sucedidas com um novo regime regulatório".

O projeto de lei (PL) 4675 ainda não tem data para ser votado, mas o deputado Aliel Machado (PV-PR) já apresentou seu relatório e fez um apelo aos colegas por sua aprovação, em reunião de líderes neste mês.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolveu segurar a votação em plenário diante da resistência de vários partidos. Partidos de direita e do Centrão alegam que o projeto abre brechas para regulação de conteúdo.

Na carta ao USTR, Smith e Jordan fazem menção à investigação pela Seção 301 que propôs sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros por supostas práticas comerciais desleais que afetam a competitividade de empresas americanas, mas vão além.

"É particularmente preocupante que, justamente no momento em que as ações relacionadas a essa investigação estão sendo finalizadas, o Brasil busque expandir suas políticas discriminatórias em vez de consultar os Estados Unidos para resolver essas preocupações", afirmam os congressistas.

As tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos não são novidade, com o governo brasileiro já tendo respondido a preocupações anteriores dos EUA em outras ocasiões. Apesar da pressão externa, autoridades brasileiras têm reiterado a importância de defender a soberania brasileira diante de pressões externas.

"Caso essa medida avance, ela agravará as barreiras existentes para as empresas digitais dos EUA que operam no Brasil e dará continuidade a uma tendência preocupante de proliferação de medidas semelhantes à DMA (Digital Markets Act), que são abertamente discriminatórias e entram em conflito direto com os interesses norte-americanos", acrescentam na carta.

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