Entenda por que França, Itália e Irlanda estão contra o acordo UE-Mercosul

Pacto deve ser confirmado nesta sexta-feira (9), com reviravolta no posicionamento italiano

O presidente francês Emmanuel Macron se posicionou contra o acordo com o Mercosul

Embaixadores de países da União Europeia (UE) concordaram em aprovar nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com os países signatários do Mercado Comum do Sul (Mercosul), disseram diplomatas à Agência France-Presse.

Os representantes têm até as 13h (horário de Brasília) para enviar por escrito os votos à UE. Em caso de sinal positivo, a presidente do grupo, Ursula von der Leyen, pode viajar a Assunção, no Paraguai, nesta segunda-feira (12) para assinar o acordo em definitivo. Entretanto, mesmo com a assinatura, o tratado não entra em vigor imediatamente e depende de aprovação do Parlamento Europeu.

França e Irlanda devem votar contra acordo com o Mercosul

Apesar do avanço das discussões rumo à aprovação do tratado, o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou durante a quinta-feira (8) que será contra o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE.

“A França é favorável ao comércio internacional, mas é um acordo de outra época, negociado durante muito tempo com base em princípios muito antigos. Embora a diversificação comercial seja necessária, o ganho econômico do acordo será limitado para o crescimento francês e europeu. Isso não justifica expor setores agrícolas sensíveis que são essenciais para a nossa soberania alimentar”, publicou Macron no X.

Grupos de agropecuários franceses realizam protestos na capital, Paris, contra a aprovação do acordo com o Mercosul. Alguns tratores estão parados em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, pontos turísticos da cidade, com mensagens de “não ao Mercosul”.

Os franceses temem que o avanço do pacto de livre comércio interfira na competitividade do comércio agrícola e leve a um aumento das importações de produtos no bloco

Na Irlanda, o vice-primeiro-ministro Simon Harris entendeu que as tratativas não atendem às necessidades do povo irlandês. “Infelizmente, o resultado dessas negociações é que, embora a UE tenha concordado com uma série de medidas adicionais, elas não são suficientes para atender às expectativas dos nossos cidadãos”, disse em comunicado.

Itália se torna favorável ao acordo na véspera da votação

Embora tenha mostrado preocupações iniciais com o impacto do acordo sobre o setor agrícola, a Itália sinalizou apoio à aprovação do pacto de livre comércio entre União Europeia e Mercosul e pode ser um agente de peso para a votação positiva.

“O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.

A Itália quer um limite mais rigoroso ⁠para a suspensão das ‍importações no âmbito do acordo comercial. Em entrevista a um jornal local, o ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, disse pressionar para reduzir de 8% para 5% o limite de importações para que se acione as cláusulas de salvaguarda.

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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