Embaixadores de países da União Europeia (UE) concordaram em aprovar nesta sexta-feira (9) o acordo de livre comércio com os países signatários do Mercado Comum do Sul (Mercosul), disseram diplomatas à Agência France-Presse.
Os representantes têm até as 13h (horário de Brasília) para enviar por escrito os votos à UE. Em caso de sinal positivo, a presidente do grupo, Ursula von der Leyen, pode viajar a Assunção, no Paraguai, nesta segunda-feira (12) para assinar o acordo em definitivo.
Embora a assinatura avance em Assunção, o acordo não entra imediatamente em vigor, já que é necessário também o aval do Parlamento Europeu, que deve levar algumas semanas para se pronunciar. No caso, o resultado ainda é incerto, uma vez que 150 dos deputados da Casa ameaçam recorrer à justiça para interromper o acordo.
Caso confirmado, o acordo marca o fim de 26 anos de debates em busca de uma união dos blocos e se torna o maior acordo já firmado pela União Europeia.
Presidente francês se posiciona contra acordo UE-Mercosul
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou durante a quinta-feira (8) que será contra o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE e invocou uma “rejeição política unânime” dos franceses pelo posicionamento.
“A França é favorável ao comércio internacional, mas é um acordo de outra época, negociado durante muito tempo com base em princípios muito antigos. Embora a diversificação comercial seja necessária, o ganho econômico do acordo será limitado para o crescimento francês e europeu. Isso não justifica expor setores agrícolas sensíveis que são essenciais para a nossa soberania alimentar”, publicou Macron no X, antigo Twitter.
Grupos de agropecuários franceses realizam protestos na capital, Paris, contra a aprovação do acordo com o Mercosul. Alguns tratores estão parados em frente à Torre Eiffel e ao Arco do Triunfo, pontos turísticos da cidade, com mensagens de “não ao Mercosul”.
Itália apoia bloco do Mercosul rumo ao acordo
Embora tenha mostrado preocupações iniciais com o impacto do acordo sobre o setor agrícola, a Itália sinalizou apoio à aprovação do pacto de livre comércio entre União Europeia e Mercosul e pode ser um agente de peso para a votação positiva.
“O governo italiano está pronto para assinar o acordo assim que forem dadas as respostas necessárias aos agricultores, o que depende das decisões da Comissão Europeia e pode ser resolvido rapidamente”, declarou a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.
A Itália quer um limite mais rigoroso para a suspensão das importações no âmbito do acordo comercial. Em entrevista a um jornal local, o ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida disse pressionar para reduzir de 8% para 5% o limite de importações para que se acione as cláusulas de salvaguarda.
(Sob supervisão de Alex Araújo)