Governo Trump divulga vídeo que defende domínio dos EUA sobre as Américas
Peça faz um retrospecto histórico e associa a doutrina às políticas do ex-presidente Donald Trump, o qual é descrito como seu 'mais recente defensor'

O Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou nesta terça-feira (11) um vídeo que exalta a Doutrina Monroe e a apresenta como pilar central da política externa americana, reforçando a dominância do país no Hemisfério Ocidental. A peça destaca o presidente Donald Trump como o mais recente defensor da doutrina.
A iniciativa do Departamento de Estado reforça elementos da Estratégia de Segurança Nacional, divulgada pelo governo Trump em dezembro de 2025. O documento apresentou o chamado "Corolário Trump", que propõe a restauração da Doutrina Monroe como norte para as ações dos Estados Unidos na América Latina e no Caribe.
O vídeo, com duração de pouco mais de cinco minutos, faz um retrospecto histórico abrangente. Ele começa com a independência dos Estados Unidos, aborda a criação da Doutrina Monroe e momentos marcantes da influência americana no continente, culminando no segundo mandato de Trump, que é retratado como o "mais recente defensor" da doutrina.
The Monroe Doctrine has shaped U.S. foreign policy for over two centuries. 🇺🇸
American dominance in the Western Hemisphere will never be questioned again. pic.twitter.com/hsoGS17gqV
— Department of State (@StateDept) August 11, 2026
O roteiro inicia citando a Revolução Americana (1775–1783), que levou à Declaração de Independência em 4 de julho de 1776 e à formação dos Estados Unidos. Também menciona a Guerra de 1812 entre Estados Unidos e Reino Unido, ressaltando a preocupação, à época, com a "interferência de impérios estrangeiros no Novo Mundo".
Em seguida, o texto evoca a declaração histórica do presidente James Monroe ao Congresso, em 1823, que estabeleceu a doutrina que leva seu nome: "Os continentes americanos, pela condição livre e independente que assumiram e mantêm, não devem, daqui em diante, ser considerados como objetos de futura colonização por quaisquer potências europeias". O vídeo afirma que os Estados Unidos lançaram ali as bases para séculos de política externa americana no hemisfério.
Nas décadas iniciais, o vídeo prossegue, a Doutrina Monroe mantinha um objetivo defensivo de afastar as potências europeias, sem buscar o controle americano sobre os assuntos do hemisfério. Contudo, a partir de 1895, o secretário de Estado Richard Olney invocou a doutrina e declarou que os Estados Unidos eram, na prática, soberanos no Hemisfério Ocidental, exigindo que a Grã-Bretanha aceitasse uma arbitragem americana.
Com essa redefinição da doutrina, o roteiro continua, os Estados Unidos "expulsaram a Espanha de Cuba, tomaram Porto Rico e entraram no cenário mundial como uma verdadeira potência imperial, com domínio sobre o Caribe". O vídeo faz referência a Theodore Roosevelt e o Corolário Roosevelt, que transformou a doutrina em justificativa para intervenções dos EUA na América Latina. Depois, cita o apoio norte-americano à independência panamenha da Colômbia, que permitiu aos Estados Unidos obter o direito de construir, operar e defender o Canal do Panamá.
O roteiro menciona ainda a Crise dos Mísseis de 1962, afirmando que "13 dias do mais perigoso confronto da história da humanidade terminaram com o recuo soviético e a retirada dos mísseis de Cuba". Durante todo o retrospecto histórico, o vídeo destaca grandes defensores da Doutrina Monroe, como James Monroe, Richard Olney, Theodore Roosevelt, John F. Kennedy e Ronald Reagan. Toda a construção é feita para levar à conclusão de que Donald Trump é o "latest champion" ou o "último defensor" da doutrina, associando suas políticas à dominância americana no Hemisfério Ocidental.
"Avançando para a era moderna, a doutrina encontrou seu mais recente defensor no presidente Trump", afirma o roteiro. O vídeo então cita a operação de captura de Nicolás Maduro na Venezuela e reproduz um trecho do discurso de Trump logo após a operação, quando o republicano disse: "Sob nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado".
A peça se encerra dizendo que, ao longo de mais de dois séculos, a Doutrina Monroe moldou a política externa dos Estados Unidos durante governos e períodos geopolíticos profundamente distintos. "O que começou como uma advertência às potências europeias evoluiu para uma estrutura de domínio regional — uma doutrina que continua sendo, até hoje, uma pedra angular da estratégia americana no hemisfério", conclui o vídeo.
Essa afirmação de que o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado reforça a perspectiva da atual administração sobre a influência dos EUA na região.
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