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Tragédias na Venezuela e Colômbia: estão acontecendo mais terremotos que o normal?

Colômbia registrou tremor de magnitude 7,4 nesta segunda-feira (10) e governo indica, preliminarmente, 111 mortos; em junho, a Venezuela sofreu um duplo terremoto deixando mais de 6 mil mortos e 16 mil feridos

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Equipes de resgate buscam sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026
Equipes de resgate buscam sobreviventes nos escombros de um prédio que desabou após um terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026 • Foto por ROBERTO BETANCOURT / AFP

A Colômbia foi surpreendida, nesta segunda-feira (10), com um terremoto de magnitude 7,4, causando destruição em diversas cidades do país. O presidente colombiano, Alberto de la Espriella, indicou 111 mortes e 87 feridos. Os dados ainda são preliminares.

Não é primeira vez neste ano que um país da América Latina passa por uma catástrofe assim. Em 24 de junho, a Venezuela foi atingida por um duplo terremoto, de magnitudes 7,2 e 7,55, respectivamente, deixando mais de 6 mil mortos e 16 mil feridos. A tragédia também deixou dezenas de milhares de desalojados e desabrigados.

Dois desastres em um curto espaço de tempo pode chamar atenção. Entretanto, os grandes terremotos registrados recentemente não indicam uma mudança no padrão da atividade sísima e são considerados eventos independentes. É o que explica a Susanne Maciel, professora da pós-graduação em Geociências da Universidade de Brasília (UNB) e pesquisadora apoiada pelo Instituto Serrapilheira.

"Temos visto muitos terremotos de grandes magnitudes sendo reportados pela imprensa. Não costumamos escutar muitas notícias, principalmente aqui no Brasil. Mas, se formos pensar em termos estatísticos, a ocorrência de terremotos é naturalmente um processo estocástico muito variável", explicou Maciel. "É natural que a gente tenha agrupamentos de eventos dessa magnitude em algumas janelas pequenas de tempo", acrescentou.

A especialista ainda inidicou que não existem dados suficientes para dizer que estamos experimetando uma anomalia. "Na verdade, se a gente for pensar na própria estatística da ocorrência dos terremotos, é comum que a gente espere esses agrupamentos de terremotos", disse, indicando que os terremotos estão acontecendo em zonas esperadas.

"Se analisarmos esses terremotos, apesar de terem sido todos de grande magnitude, vêm de mecanismos focais distintos e de contextos tecntônicos distintos também. É muito pouco provável que eles tenham uma interação entre si, que estejam sendo causados por uma mesma razão", destacou Maciel.

Um homem remove escombros enquanto busca corpos sob os destroços de um prédio destruído pelos terremotos de 24 de junho em Caraballeda, Venezuela, em 17 de julho de 2026. Mais de três semanas após o duplo terremoto na Venezuela, o número oficial de mortos ultrapassou 5.000, segundo uma contagem atualizada divulgada pelas autoridades em 17 de julho. • Foto por RAUL ARBOLEDA / AFP
Um homem remove escombros enquanto busca corpos sob os destroços de um prédio destruído pelos terremotos de 24 de junho em Caraballeda, Venezuela, em 17 de julho de 2026. Mais de três semanas após o duplo terremoto na Venezuela, o número oficial de mortos ultrapassou 5.000, segundo uma contagem atualizada divulgada pelas autoridades em 17 de julho. • Foto por RAUL ARBOLEDA / AFP

Está acontecendo mais terremotos que o normal?

"Não podemos dizer que a probabilidade de terremotos este ano aumentou", afirmou a especialista — que cita Andrew Michael, geofísico que se dedicou a estudar e realizar uma análise estatística dos catálogos desde 1900, com todos os terremotos de magnitude maior ou igual a 7.

Para o geofísico, a distribuição temporal de grandes terremotos é descrita por um processo aleatório e que, aparentemente, agrupamentos de terremotos de grande magnitude não têm uma explicação física, mas uma explicação do processo estatístico: eles acontecem por aleatoriedade, e esses agrupamentos são esperados.

"Esse agrupamento de terremotos de alta magnitude em 2026 faz parte da aleatoriedade mesmo do processo dos terremotos, que acontecem de forma aleatória e, por isso, esses agrupamentos acontecem", concluiu Maciel.

Os terremotos são imprevisíveis?

No curto prazo (dia, hora e local exatos), os terremotos são imprevisíveis. No entanto, quando se trata de longo prazo, a sismologia trabalha com previsões probabilísticas.

A professora da pós-graduação em Geociências UNB explicou que há zonas onde são mais favoráveis para a ocorrência de grandes terremotos, o que é possível prever com estudos geológicos. "Zonas de contato das placas tectônicas são regiões mais propensas, mais prováveis de ocorrer terremoto", disse.

Terremoto na Colômbia

Por se tratar de um desastre natural recente, Maciel explicou que dados como valor da magnitude, mecanismo focal e da sequência de terremotos que podem acontecer depois do episódio desta segunda-feira (10) podem mudar nos próximos dias.

Veja, abaixo, o que se sabe até agora:

  • Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10), causando destruição em diversas cidades do país.
  • O presidente da Colômbia, Alberto de la Espriella, indicou 111 mortes e 87 feridos. Ao todo, 61 prédios entraram em colapso.
  • O epicentro do tremor ocorreu em San José del Palmar, a uma profundidade de 110 km, segundo a agência geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). A cidade fica a cerca de 230 km de Bogotá, capital do país, e a aproximadamente 150 km de Medellín e de Cali.
  • Uma réplica de magnitude 5.0 e 100 km de profundidade foi registrada cerca de uma hora depois.
  • O terremoto foi o mais forte registrado na Colômbia na última década, de acordo com o Serviço Geológico do país.
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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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