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Quase um mês após terremotos na Venezuela, famílias esperam vistorias para voltar às casas

Terremotos que sacudiram a Venezuela em 24 de junho mataram ao menos 5.208 pessoas, segundo boletim divulgado nesse domingo (19)

Por e 
Sobe para 2.954 o número de mortos em terremotos na Venezuela; mais de 16 mil estão feridos
Destruição na Venezuela após duplo terremoto • RAUL ARBOLEDA / AFP

Famílias ainda aguardam o Governo da Venezuela realizar vistorias em imóveis afetados pelos terremotos que sacudiram o país há quase 30 dias.

O motorista Alberto Ramos, de 45 anos, foi um dos afetados. A família e amigos dele estão abrigados em uma farmácia na cidade de Catia la Mar. "Todos juntos. Na chuva, no sol. Mas deixamos tudo nas mãos de Deus", afirmou.

Em entrevista à Itatiaia nesta segunda-feira (20), Alberto contou que a casa onde mora foi danificada pelos tremores de terra. Ele aguarda que o governo vistorie o imóvel e o classifique de acordo com o prejuízo na estrutura.

"Acho que o governo deveria agir rapidamente, porque meus vizinhos e colegas de quarto não podem ficar em um abrigo por tanto tempo. É desconfortável, sabe? Porque, para ser sincero, os abrigos não são adequados. Eles não estão em condições apropriadas para as pessoas ficarem nesse tipo de abrigo por tanto tempo", destacou.

"Peço ao governo que ouça, que realmente tome medidas e aja de acordo com isso, porque, apesar da magnitude da catástrofe — e foi realmente enorme —, eles deveriam estar recebendo ajuda de outros países e coordenando ações com os países que querem ajudar para podermos superar isso o mais rápido possível", acrescentou.

Questionado sobre o futuro do país, Alberto Ramos disse acreditar que episódios como os terremotos são "provas que Deus coloca diante de nós para que o governo venezuelano ame mais o seu povo".

"Somos nós que damos vida a este país. É por isso que eu apelo ao povo e ao governo da Venezuela para que tomem medidas e reconheçam a magnitude da catástrofe que aconteceu aqui. Peço ao governo que tenha um pouco de empatia pelo país, um pouco de amor, e nos ajude a seguir em frente", clamou.

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A Itatiaia também conversou com o médico voluntário Humber Faria, de 34 anos, que trabalha no atendimento aos feridos. Ele é de Macaraibo, no oeste da Venezuela, e foi ao local para ajudar as vítimas.

"Estou aqui desde o dia 25 e continuo comprometido porque gosto muito — do aspecto profissional, do aspecto humano, da minha responsabilidade como médico e como venezuelano — e de ver como cada pessoa contribui e confia em nós para nos ajudar a chegar lá", afirmou.

Buscas em escombros de edifícios em Catia la Mar encontraram um presépio intacto nesta segunda . A empresária SiBel Ávila Martine, de 52 anos, proprietária do artefato, contou à Itatiaia sobre como reagiu ao encontro.

"Deus claro que existe. E a cada dia acredito mais na Sua presença na minha vida. Apesar de tudo isso, não duvido da Sua existência", destacou.

Terremotos mataram 5.208 pessoas na Venezuela

A última atualização do Governo da Venezuela, divulgada nesse domingo (19), aponta que os terremotos que sacudiram o país mataram 5.208 pessoas. Os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 foram registrados em 24 de junho.

Ao menos 16.740 pessoas ficaram feridas, de acordo com o boletim diário publicado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.

A Organização das Nações Unidas (ONU) calculou que até 50 mil podem estar desaparecidos. Outras projeções apontam para um número de cerca de 10 mil. No entanto, as autoridades venezuelanas evitam realizar estimativas.

 

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

 

 

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