Terremoto: sobe para 132 o número de mortos e para 570 o de feridos na Colômbia
O governo do país declarou emergência nacional; presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia nesta segunda-feira (10) deixou ao menos 132 mortos e 570 feridos, segundo a associação de capitais do país (Asocapitales). O abalo provocou o desabamento de cerca de 100 imóveis, entre casas e edifícios, e mobilizou equipes de resgate na busca por sobreviventes presos sob os escombros. O abalo sísmico foi o mais forte registrado no país na última década, segundo divulgado pelo Serviço Geológico do país.
O governo da Colômbia declarou emergência nacional. O epicentro do tremor ocorreu em San José del Palmar, a uma profundidade de 110 quilômetros, segundo a agência geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês). A cidade fica a cerca de 230 km de Bogotá e a cerca de 150 km de Medellín e de Cali.
Uma réplica de magnitude 5,0 e 100 km de profundidade foi registrada cerca de uma hora depois. Em Cali, ao menos 20 prédios desabaram por conta da força dos tremores e há dezenas de pessoas presas sob os escombros, segundo as autoridades locais.
O terremoto também chacoalhou a capital Bogotá. A imprensa local indicou que sirenes de terremoto tocaram na cidade. O tremor ainda foi sentido nos países vizinhos Equador e Venezuela — que foi atingida por um duplo terremoto em julho. No Brasil, o tremor foi sentido em Manaus, no estado do Amazonas.
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), manifestou solidariedade às vítimas. O líder ainda afirmou que o Brasil está à disposição do país vizinho para prestar o apoio necessário.
O sistema de alerta de tsunamis dos Estados Unidos afirmou que não há risco de tsunami por conta do terremoto.
- Entenda: a relação entre os desastres é de causa e efeito. A grande maioria dos tsunamis é provocada por terremotos submarinos. Quando um sismo ocorre no fundo do oceano e desloca verticalmente o leito marinho, essa força empurra abruptamente a coluna de água acima dele, dando origem às ondas gigantes.
Mortos, feridos e danos materiais
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, informou que 1.575 moradias sofreram danos, 37 foram completamente destruídas e 61 edifícios colapsaram. Entre a infraestrutura danificada estão 18 centros de saúde, 52 centros educativos, 17 centros comunitários e 18 vias.
Por fim, mencionou seis aeroportos afetados em infraestrutura e sem operação para voos comerciais, e um afetado em pista de aterrissagem.
Aeroportos fechados
O terremoto afetou a operação de 10 aeroportos na Colômbia, segundo informações da autoridade Aeronáutica Civil do país ao jornal local EL Tiempo. Os terminais de Pereira e Armenia, na Região Cafeeira do país, foram fechados após os tremores de terra.
Também há interrupções nos aeroportos de Manizales, Quibdo, Cartago e Buenaventura. “Por razões de segurança, as operações aéreas nesses terminais permanecem suspensas até que os danos estruturais à infraestrutura possam ser avaliados”, disse a autoridade Aeronáutica Civil.
Primeiro dia útil do governo de Espriella
O recém-empossado presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, compartilhou que irá montar um comando unificado para lidar com o desastre natural. Esta segunda-feira (10) é o primeiro dia útil do governo de Espriella.
A autoridade se deslocou até Bogotá para se juntar a um gabinete de crise criado para lidar com a emergência causada no país pelo terremoto:
"Aos colombianos que hoje atravessam momentos difíceis quero dizer-lhes: não estão sós. Têm um Presidente a quem dói o seu povo e que fará tudo o necessário para protegê-los, acompanhá-los e levar para a frente, juntos, as regiões afetadas", escreveu ele em uma rede social.
Espriella afirmou que está acompanhando diretamente a resposta à emergência causada pelo terremoto que atingiu o país. Ele disse estar à frente das ações de resposta e afirmou sentir profundamente o impacto da tragédia sobre as famílias das vítimas.
Nas redes sociais, ele também destacou que o país está unido diante da crise e afirmou que a Colômbia superará o momento em conjunto.
Ex-presidente Gustavo Petro ironiza terremoto dias após deixar governo
O ex-presidente da Colômbia, Gustavo Petro, publicou uma “indireta” ao novo líder do país, Abelardo de la Espriella, após o terremoto que já matou ao menos 70 pessoas no país.
Nas redes sociais, Petro questionou: “A terra grita, e quem ouve suas mensagens?”. A declaração acontece três dias após Espriella assumir a presidência no país. Ele derrotou o candidato apoiado por Petro, Iván Cepeda, durante as eleições de julho. O ex-presidente afirma que as eleições foram fraudadas e que o novo mandatário não tem legitimidade para governar o país.
Mais tarde, Petro pediu mobilização após o terremoto e fez um apelo para que aliados e apoiadores ajudem na mobilização de ações de solidariedade. Em uma nova publicação nas redes sociais, ele manifestou solidariedade às famílias afetadas em diferentes cidades e regiões do país.
O ex-presidente também defendeu que toda a estrutura do Estado seja colocada à disposição das áreas atingidas e disse que nenhuma comunidade afetada pode ser deixada para trás durante a resposta à emergência.
‘Susto que não desejo a ninguém’, diz brasileiro que presenciou terremoto na Colômbia
O jornalista brasileiro Caio Tárcia afirmou, em vídeo enviado à Itatiaia, que o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia foi um "susto" que ele "não deseja a ninguém". Ele passa férias no país e está, no momento, em Cartagena, no litoral colombiano.
"Para os que não são nascidos na Colômbia, realmente, é uma tensão e uma situação bem complicada, porque não estamos acostumados com isso", relatou.
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