Desabamento de hospital obriga famílias a levarem corpos para necrotério na Venezuela
Pelo menos três caminhonetes chegarem ao necrotério carregando corpos cobertos com sacos e lençóis; terremotos deixaram mais de mil mortos

Uma caminhonete abarrotada de corpos em sacos brancos aguardava do lado de fora do necrotério de Caracas neste sábado (27). Com os hospitais sobrecarregados após os terremotos na Venezuela, são as famílias dos falecidos que levam seus entes queridos para lá.
Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram a região na quarta-feira (24) em menos de um minuto deixaram mais de mil mortos, 50 mil desaparecidos e um cenário de devastação por todo o país, especialmente em La Guaira, localizada a cerca de 30 quilômetros de Caracas, capital do país.
Yessica Mendoza chegou ao necrotério de madrugada com o corpo da filha. Ela precisou transportá-lo em um carro particular devido à falta de serviços funerários.
A filha dela, Yesimar Rodríguez, de 25 anos, e o genro, Jhomel Anaya, de 26, ficaram presos sob os escombros quando o prédio onde moravam desabou durante os violentos terremotos que transformaram sua cidade, La Guaira, no epicentro do terremoto.
"Tivemos que retirá-los nós mesmos; ninguém ajudou”, disse a mãe, de 43 anos. "Vamos cremá-los porque já estão em um estágio muito avançado de decomposição e não podemos fazer um velório", acrescentou.
Em apenas uma hora, a Agence France-Presse (AFP) viu pelo menos três caminhonetes chegarem ao necrotério carregando corpos cobertos com sacos e lençóis. Ao passarem, os veículos deixavam um odor de decomposição.
O corpo da filha de Yessica Mendoza foi encontrado na sexta-feira (26), enquanto o corpo do gênero foi descoberto no dia anterior. Mendoza relatou que decidiu levar a filha ao necrotério porque no hospital Catia la Mar, em La Guaira, "os mortos estavam no chão".
Um funcionário disse, sob condição de anonimato, que pelo menos 200 corpos chegaram a este necrotério, sede do Serviço Nacional de Medicina Legal da Venezuela, desde sexta-feira (26).
Terremotos atingem a Venezuela; o que se sabe até agora

- Dois terremotos, de magnitude 7,2 e 7,5, atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24). Os fenômenos aconteceram com menos de um minuto de diferença e desencadearam pelo menos 20 réplicas (tremores menores) nas horas seguintes, segundo o governo do país.
- O epicentro do tremor mais forte foi localizado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas.
- La Guaira, uma cidade litorânea nos arredores de Caracas, foi a mais atingida, com pelo menos 100 edifícios, incluindo prédios de apartamentos de vários andares, desabando.
- A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência. Ela afirmou que equipes de resgate, segurança e defesa civil foram mobilizadas para atender as áreas afetadas.
- O papa Leão XIV enviou uma ajuda emergencial de 100 mil euros (cerca de R$ 591 mil) ao país.Além da Igreja Católica, vários países — como os Estados Unidos, Irã e Cuba — e a União Europeia ofereceram ajuda a Venezuela, que já se encontrava enfraquecida por uma grave crise econômica e social.
- Treze militares do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) vão integrar a força-tarefa brasileira enviada para apoiar as ações de busca, salvamento e ajuda humanitária no país.
*Com AFP.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



