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Missa na Catedral de Buenos Aires reúne multidão após morte do Papa Francisco

Fiéis de várias partes do mundo lotaram o templo em uma cerimônia marcada por emoção, homenagens e despedidas ao pontífice

Primeira missa após a morte do Papa Francisco na Catedral reúne fiéis

A primeira missa realizada na Catedral Metropolitana de Buenos Aires após a morte do Papa Francisco, na manhã desta segunda-feira (21), reuniu milhares de pessoas vindas de diferentes partes do mundo. A celebração teve início às 8h30, com o templo completamente lotado. Muitos fiéis, de joelhos ou sentados no chão, acompanharam a cerimônia em silêncio, em oração e às lágrimas.

Dentro da igreja, a fila para a comunhão contornava o interior da Catedral. Com um ritmo constante e reverente, fiéis esperavam pelo sacramento – muitos em pranto. Havia estudantes uniformizados de escolas católicas, cujas aulas foram suspensas em sinal de luto. De olhos fechados, muitos acompanhavam a missa em silêncio absoluto, rompido apenas pela movimentação de quem tentava se aproximar do altar.

''Esta é a primeira de muitas missas que celebraremos. Não há uma única celebração oficial. A Eucaristia será realizada em todas as paróquias”, afirmou o arcebispo de Buenos Aires, Jorge Ignacio García Cuerva, sucessor do Papa Francisco na Arquidiocese. Ele também anunciou que uma cerimônia oficial será marcada antes do sepultamento, reunindo autoridades e fiéis.

Francisco, que nasceu no bairro de Flores, em Buenos Aires, levava uma vida simples antes de ser eleito Papa. Ia a pé ou de metrô todos os dias até a Catedral Metropolitana, onde atuava como arcebispo. Foi nomeado arcebispo titular da capital argentina em 1997 e, em 2001, tornou-se cardeal. Sua rotina mudou em 2013, quando foi escolhido como o primeiro papa latino-americano da história.

A Catedral permanecerá aberta ao longo do dia para orações e homenagens ao Papa.

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Relatos

Entre os fiéis presentes, histórias se cruzavam no momento de luto. Claudia Magnin e José Gregori, de Concepción, Entre Ríos, estavam em Buenos Aires para tratar de um problema de saúde do filho quando souberam da notícia. “Conheci Francisco em 2013, pouco antes de ele ir a Roma. Nunca mais o vimos até 2023, na Jornada da Juventude. Agora, o ciclo se encerra”, disse Claudia.

Já Daniel Dichiaro, de 56 anos, contou que o Papa transformou sua vida. “Ele falava diferente. Me fez voltar a ler o Evangelho todos os dias. Aproximou-me de Deus”, relatou. Ele soube da morte do pontífice enquanto trabalhava no Aeroporto de Ezeiza. “Um segurança me chamou e disse: ‘O Papa faleceu’.”

Ao final da missa, o anúncio “partamos em paz, Aleluia, Aleluia” ecoou pelo templo. Os fiéis abriram os olhos, muitos ainda emocionados, enquanto os celebrantes deixavam o altar. A despedida ao Papa argentino segue como uma das mais marcantes manifestações de fé da história recente do país.

* Sob supervisão de Enzo Menezes

Izabella Gomes é estagiária na Itatiaia, atuando no setor de Jornalismo Digital, com foco na editoria de Cidades. Atualmente, é graduanda em Jornalismo pela PUC Minas