A humanidade desequilibrou o ciclo global da água ‘pela primeira vez na história’, é o que aponta relatório da Comissão Global sobre a Economia da Água (GCEW, na sigla em inglês).
Mais da metade da produção mundial de alimentos pode estar em risco até 2050 se medidas urgentes contra a crise global de água não forem adotadas.
“Quase 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção mundial de alimentos estão agora em áreas onde o armazenamento total de água tende a diminuir”, segundo grupo de líderes e especialistas em relatório publicado nesta quinta-feira (17).
Com a ameaça a produção de alimentos, a crise hídrica pode reduzir em média 8% do PIB dos países até 2050, com perdas muito maiores de até 15% projetadas para países de baixa renda.
Quais os motivos da crise emergente?
Segundo o especialistas, o clico da água é vítima das alterações climáticas, porém a degradação dos ecossistemas de água doce, incluindo a perda de umidade no solo tornou-se o maior fator das alterações climáticas e da perda de biodiversidade. O resultado contribui para o que todo o mundo já enfrenta: longas estiagens, inundações, ondas de calor e incêndios florestais.
Com isso, a má gestão, ou seja o consumo impróprio e desenfreado do recurso lidera a causa da crise hídrica global.
“Décadas de má gestão coletiva e a subvalorização da água em todo o mundo tem danificaram nossos ecossistemas de água doce e terrestres e permitiu a contaminação contínua da água recursos. Não podemos mais contar com água doce disponibilidade para o nosso futuro”, destaca relatório da GCEW.
Dados recentes da comissão global mostram que mais de 1.000 crianças menores de cinco anos morrem todos os dias de doenças causados por água e saneamento impróprios. Mulheres e meninas gastam 200 milhões de horas por dia coletando e transportando água. Os sistemas alimentares estão se esgotando de água doce, e as cidades estão afundando à medida que os aquíferos embaixo deles secam.
É possível reverter a situação crítica?
A Comissão Global sobre a Economia da Água foi criada pela Holanda em 2022, com base no trabalho de dezenas de cientistas e economistas de renome, com o objetivo de formar uma visão abrangente sobre o estado dos sistemas hidrológicos globais e sua gestão.
O relatório de 194 páginas publicado nesta quinta (17) é o maior estudo global a analisar os vários aspectos da crise da água e sugerir soluções. O documento, que a comissão classifica de “histórico”, argumenta que as abordagens existentes ocasionaram a crise da água, por não levarem em conta o seu valor para a economia e a preservação dos ecossistemas.
A comissão destaca que ainda existem soluções para esta crise se a população mundial agir ‘de forma mais coletiva e com maior urgência’. “Também é vital restaurar a estabilidade do o ciclo da água é crítico não apenas por si só, mas para evitar falhar nas alterações climáticas e ‘salvaguardar todos os ecossistemas da Terra, bem como em cada e cada um Desenvolvimento Sustentável Metas (ODS)”.
*Sob supervisão de Marina Borges