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Putin se preocupa com ‘patrocinadores’ de atentado em Moscou

A Ucrânia nega qualquer relação com o ataque terrorista na Rússia, que matou mais de 130 pessoas

O presidente Vladimir Putin reconheceu, pela primeira vez, nesta segunda-feira (25), que o atentado terrorista em Moscou foi realizado por “islamistas radicais”, mas suspeita de uma relação com a Ucrânia - sem apresentar provas.

O presidente russo se diz preocupado com os “patrocinadores” do ataque e quer uma investigação “profissional” para apurar os responsáveis.

O grupo Estado Islâmico (EI), que a Rússia combate na guerra da Síria, reivindicou a autoria do ataque da última sexta-feira (22), que deixou ao menos 139 mortos e 182 feridos em estado grave.

A Ucrânia, que luta contra as tropas russas desde a invasão ao seu território, em fevereiro de 2022, negou qualquer “conexão com o incidente”.

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Quem patrocinou?

“Sabemos que este crime foi cometido por islamistas radicais com uma ideologia contra a qual o mundo islâmico tem lutado por séculos”, disse Putin hoje (25) durante uma reunião do governo. “O que nos interessa é o patrocinador”.

Putin tenta relacionar os jihadistas do Estado Islâmico com o governo de Volodymyr Zelensky, sugerindo que os terroristas tentavam fugir para a Ucrânia, sem apresentar provas.

"É importante responder à pergunta de por que os terroristas, depois de seu crime, tentaram ir para a Ucrânia? Quem os esperava lá? Aqueles que apoiam o regime de Kiev não querem ser cúmplices do terror e apoiadores do terrorismo, mas surgem muitas perguntas”, afirmou.

“Nos perguntamos quem se beneficia com isso? Esta atrocidade pode ser um novo elo com aqueles que, desde 2014, têm lutado contra nosso país através do regime neonazista em Kiev”, disse Putin.

O presidente afirma que a ofensiva russa pretende derrubar um suposto regime neonazista na Ucrânia.

“Os nazistas, como é sabido, nunca recusaram usar os métodos mais sujos e desumanos para alcançar seus objetivos”, afirmou.

A União Soviética (antiga Rússia) integrou as tropas aliadas que derrotaram o regime nazista de Adolf Hitler, na Alemanha, na Segunda Guerra Mundial.

Putin tenta associar Zelensky ao inimigo histórico, em meio ao prolongamento da guerra na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022.

Suspeita de tortura

Quatro suspeitos de realizarem um ataque terrorista em uma casa de shows em Moscou, capital da Rússia, na noite de sexta-feira (22), foram acusados formalmente pela corte distrital.

O Kremlin se recusou a comentar as denúncias de tortura dos suspeitos, que apareceram com o rosto ensanguentado em vídeos e fotos publicados nas redes sociais.

Em outro vídeo que não teve autenticidade não foi confirmada, é possível ver uma pessoa fora de câmera cortando a orelha do que parece ser um dos suspeitos.

Durante a audiência de custódia em Moscou, nesse domingo (24), os suspeitos apareceram com marcas de tortura em tribunal. Um deles estava com um curativo branco na orelha e outro chegou em uma cadeira de rodas, com os olhos fechados.

Opositor russo no exílio, Leonid Volkov disse nesta segunda-feira (25) que a publicação desses vídeos é uma tentativa dos serviços de segurança russos “desviar a atenção sobre sua impotência e fracasso”.

O atentado é um duro revés para o governo de Vladimir Putin, que prometeu segurança, em meio a um recrudescimento dos ataques ucranianos em solo russo, poucos dias após sua reeleição como presidente, sem uma oposição viável.

Após a vitória, o presidente disse que a Rússia não seria “intimidada” nem “suprimida” durante o novo mandato de seis anos.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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