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Trump x Biden: disputa nos EUA deve repetir cenário do Brasil em 2022; entenda

Será a primeira vez na história dos EUA que um ex-presidente enfrenta o atual mandatário, assim como ocorreu no pleito entre Lula e Bolsonaro

O resultado da “Superterça”, evento mais importante das eleições primárias dos EUA, definiu a disputa pela Casa Branca, em 2024, entre o ex-presidente Donald Trump contra o atual presidente Joe Biden.

Assim como aconteceu no Brasil em 2022, no pleito decidido entre Lula e Bolsonaro, será a primeira vez na história da democracia norte-americana que um ex-presidente enfrenta o atual mandatário, em uma confronto que promete dividir o país, com reverberações globais.

Os paralelos entre a eleição norte-americana e brasileira são muitos nos últimos anos, indo além da escolha dos candidatos. A disputa tem o potencial inclusive de influenciar a disputa pelo Planalto em 2026.

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Revanche

O cenário marca uma “revanche” da eleição presidencial de 2020, quando o ex-vice-presidente Joe Biden venceu o então presidente Donald Trump, que tentava a reeleição.

Com 81 milhões de votos, Biden tornou-se o presidente com maior número de votos na história da democracia norte-americana.

Trump recebeu mais de 74 milhões - sendo a segunda maior quantidade de votos recebidos por um candidato nas eleições presidenciais dos EUA.

O mesmo cenário foi visto no Brasil, de forma inédita, nas eleições presidenciais em 2022.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou o então presidente Jair Bolsonaro (PL), sendo a disputa mais acirrada da história da República Brasileira. O petista venceu como uma vantagem de 50,9% a 49,1%.

Com o resultado, Lula virou o presidente mais bem votado da história do país, somando 60,3 milhões de votos; seguido por Bolsonaro, com 58,2 milhões, ocupando a segunda posição do ranking - assim como nos EUA.

Foi a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente disputou o Planalto contra o atual mandatário.

A idade pesa?

As candidaturas divergentes de Biden nas primárias democratas nos EUA não empolgaram o eleitorado, apesar das críticas sobre a idade do atual presidente.

Geralmente, o presidente em exercício “automaticamente” é candidato à reeleição nos Estados Unidos. Mas participa das primárias do partido como um processo formal para confirmar a indicação.

Biden tem 81 anos e, caso reeleito em 2024, vai terminar o mandato aos 86 anos - sendo o presidente mais velho a governar os EUA.

Assim como Biden, Lula virou o presidente mais velho a assumir o Brasil, em 2022, com 77 anos - superando o ex-presidente Michel Temer, que tinha 76 anos ao ser conduzido ao cargo após o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016.

Lula governou o Brasil entre 2002-2010, conquistando a reeleição em 2006 contra o atual vice-presidente Geraldo Alckmin, na época no PSDB.

Com a vitória eleitoral de 2022, ele se tornou o único presidente eleito três vezes na história da República Brasileira.

Caso reeleito em 2026, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai terminar o mandato em 2030, com 85 anos.

Reeleição

Trump foi o terceiro presidente dos EUA que não conquistou a reeleição, ao lado de Jimmy Carter (1977-1981) e George H. W. Bush (1989-1993). Dessa forma, ele tenta voltar à Casa Branca neste ano.

Em 2022, Bolsonaro se tornou o único presidente da história do Brasil a não ganhar a reeleição.

Ao contrário dos EUA, o direito à reeleição no Brasil só foi conquistado em 1997 com uma emenda constitucional que permitiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ser reconduzido ao cargo em 1998.

A Constituição de 1988 originalmente não permitia a reeleição para o cargo de presidente da República.

Em 2026, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não vai poder repetir o feito do aliado Donald Trump, após se tornar inelegível por 8 anos pelo Superior Tribunal Eleitoral (TSE).

A condenação ocorreu por falsas constetações às urnas eletrônicas em reunião com embaixadores, em 2022. O TSE, comandado pelo ministro Alexandre de Moraes, aprovou a medida pelo placar de 5 a 2.

Biden tenta repetir o feito dos ex-presidente democratas Bill Clinton (1993-2001) e Barack Obama (2009-2017), que conquistaram suas respectivas reeleições.

O republicano George W. Bush (2001-2009) também conseguiu ser reeleito em 2004, em meio a guerra do Iraque.

“Espelho”

A eleição dos EUA em 2024 deve servir como um “espelho” para a eleição presidencial de 2026 no Brasil, assim como ocorreu nos últimos anos.

Mesmo antes de se tornar presidente, Bolsonaro nunca escondeu a admiração por Donald Trump. Os candidatos foram eleitos de forma surpreendente, em 2016 e 2018, respectivamente, desafiando o “establishment” político vigente nos países.

Na eleição de 2020, em meio a crise sanitária causada pela pandemia de COVID-19, Biden venceu Trump com uma vantagem relativamente apertada de 306 a 232 delegados no Colégio Eleitoral.

Após o resultado, Bolsonaro embarcou no discurso “golpista” de Trump e afirmou, sem provas, que haviam diversos indícios de fraude na vitória do presidente eleito Joe Biden.

Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma campanha com níveis de polarização e agressividade recordes.

Assim como Biden, Lula defendia a bandeira da “democracia” e fazia críticas à condução do governo durante a pandemia de Covid-19. Brasil e Estados Unidos lideraram o número de mortos durante a crise sanitária mundial.

6 e 8 de janeiro

As semelhanças entre os processos eleitorais do Brasil e EUA nos últimos anos também foram vistas após o pleito.

Na derrota de 2020, Trump contestou o resultado eleitoral, sem provas, acusando “fraude” no processo eleitoral.

A narrativa levou à invasão do Capitólio por seus apoiadores, no dia 6 de janeiro de 2021, durante a diplomação de Biden como presidente da República, no Senado.

Assim como nos EUA, após a derrota em 2022, apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram e destruíram a sede dos Três Poderes, em Brasília (DF), sob falsa alegação de irregularidade no processo eleitoral.

Nessa segunda-feira (4), o presidente Joe Biden alertou que Trump deve novamente contestar o resultado em caso de derrota na eleição presidencial deste ano.

Com regras eleitorais diferentes do Brasil, a Suprema Corte dos EUA aprovou por unanimidade a possibilidade de Trump se candidatar ao pleito, apesar das investigações sobre a sua interferência na invasão do Capitólio em 2021.

*Com informações da AFP

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Formado em Jornalismo pela UFMG, com passagens pelo jornal Estado de Minas/Portal Uai. Hoje, é repórter multimídia da Itatiaia.
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