Você sabia que a macaúba, também chamada de coco-baboso ou coco-de-espinho, é considerada uma das principais matérias-primas para os combustíveis sustentáveis do futuro? Nativa do Brasil, essa palmeira pode, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), chegar a 15 metros de altura, vive até cem anos, adapta-se a diferentes tipos de solo e clima e, além de exigir pouca água, apresenta uma alta produtividade de óleo – chegando a 5 toneladas por hectare. A partir dela, é possível produzir biodiesel, diesel verde, combustível sustentável de aviação, além de ração animal, cosméticos e até insumos industriais.
Macaúba é fonte de emprego e renda para centenas de famílias do Norte de Minas
Foi com esse potencial que Montes Claros recebe, nesta sexta-feira (29), a inauguração do Acelen Agripark, um centro de tecnologia voltado ao desenvolvimento da macaúba. O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de ministros de Estado, do senador Rodrigo Pacheco e de diversas autoridades.
Presidente Lula participa da inauguração da Acelen Agripark em Montes Claros.
O investimento é de R$ 314 milhões, sendo R$ 258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e integra a futura biorrefinaria da empresa Acelen na Bahia, que deve produzir, a partir de 2028, 1 bilhão de litros por ano de combustível sustentável de aviação e de diesel verde, dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração da Economia), com expectativa de criar até 85 mil empregos diretos e indiretos nos próximos dez anos.
Com investimento de R$ 314 milhões, Centro Tecnológico foi instalado em Montes Claros.
A chegada do empreendimento gera expectativa entre os produtores da região. Valney Soares Costa, gestor voluntário da Cooperriachão e da Associação Comunitária dos Pequenos Produtores Rurais de Riacho D’Anta e Adjacências, destacou: “Essa indústria em Montes Claros pode contribuir para o trabalho que vem sendo desenvolvido pela nossa cooperativa. A inauguração dessa empresa para nós é de suma importância, pois tínhamos um sonho da cadeia do coco macaúba se desenvolver. E a Acelen veio com esse intuito e também de parcerias, principalmente com a agricultura familiar. É um sonho que está se realizando e nós queremos crescer junto com essa empresa. Aumentar o número de extrativistas na nossa região e gerar muito emprego e renda”.
Cerca de duzentas famílias extrativistas beneficiam 200 toneladas da macaúba por ano.
Atualmente, cerca de 200 famílias extrativistas de sete municípios do Norte de Minas Gerais beneficiam anualmente 200 toneladas da macaúba. Segundo Valney, além dos combustíveis, a cooperativa já diversifica a produção: “Hoje a gente tem um leque de produtos, desde a questão dos óleos da polpa e da amêndoa, a ração animal, a saboaria, cosméticos como óleo para cabelo, xampu, condicionador, e até o uso da casquinha dura para jateamento de peças metálicas. É um fruto que a gente sempre trabalhou desde 2004 e que agora está tendo oportunidade de ser conhecido em todo o Brasil e gerar desenvolvimento”.
Para o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, a instalação do centro tecnológico reforça a vocação do Norte de Minas para o desenvolvimento sustentável: “A importância das terras do Norte de Minas e, sobretudo, de Montes Claros, está na possibilidade da sustentabilidade global. Esse projeto é inovador porque garante a utilização de um produto do nosso Cerrado para reduzir os poluentes da atmosfera. Junta o aspecto econômico, gerando receitas, empregos e impostos; o ambiental, substituindo combustíveis fósseis; e o social, ao empregar populações que antes colhiam sem valor comercial. Atende a todos os aspectos da sustentabilidade”.
Ainda segundo o prefeito, com a inauguração, Montes Claros consolida-se como um dos polos nacionais na pesquisa e desenvolvimento da macaúba, fortalecendo parcerias entre governo, empresas e agricultores familiares, e dando um passo estratégico para a transição energética no Brasil.