‘Todo mundo abandonou a gente': o pedido de socorro de moradores do Parque Burnier

Entrevistados relatam à Itatiaia como está o bairro onde houve mais de 20 mortes na tragédia em Juiz de Fora

Moradores do Parque Burnier em Juiz de Fora cobram atuação do poder público após tragédia das chuvas

Em meio à poeira, às fitas de interdição, à incerteza e insegurança, o sentimento é de abandono. Estes foram os relatos ouvidos pela Itatiaia de moradores do Parque Burnier nesta terça (3). No bairro, mais de 20 pessoas morreram na tragédia das chuvas na última semana de fevereiro em Juiz e Fora.

Renata Silva, que perdeu 17 familiares na tragédia, relata a angústia de quem precisa de amparo material e psicológico em meio ao luto e à destruição.

"É um processo muito doloroso. Eu tenho contado com a ajuda da comunidade, que aqui a gente é como família, como irmão. Estou vivendo na base de orações para dormir e às vezes remédio, porque eu não estou bem. Como achou todos os óbitos, a gente não tá tendo suporte nenhum. Nenhum. Todo mundo abandonou a gente, não veio um prefeito, não veio um vereador, ninguém quer saber do meu psicológico, do psicológico da minha família, Essa poeira fazendo mal aos moradores, muitas casas estão interditadas, passou essa fita. A casa cai, a vida de vocês não tem valor nenhum, eu quero gritar socorro de ajuda, porque eles desistiram da gente, não vem mais ninguém”.

Instabilidade em imóveis preocupa moradores do Parque Burnier em Juiz de Fora

O comerciante e também morador David Costa lamenta a sensação de ser deixado de lado em meio aos riscos ainda existentes no local.

“A gente tem muitas tragédias aqui que, pode-se dizer, tragédias anunciadas ainda, coisas a serem resolvidas. Infelizmente eu posso falar por experiência que o poder público nos abandonou. Nos deixou de lado, entende? Tem por exemplo uma casa que está prejudicando 20 famílias. Então, por que a Prefeitura não vem aqui e resolve o problema para ajudar as outras 20 famílias? Ali na rua da escola também nós temos algumas casas que estão prestes a cair a qualquer momento e infelizmente a prefeitura não vem para resolver o problema”

Questionada pela Itatiaia, a Prefeitura de Juiz de Fora respondeu em nota que, no contexto da calamidade, a atuação junto à população atingida, incluindo moradores do Parque Burnier, envolve frentes integradas de acolhimento, saúde, assistência social e resposta operacional. (confira a íntegra abaixo)

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Íntegra da nota da Prefeitura de Juiz de Fora

A Prefeitura de Juiz de Fora informa que, no contexto da calamidade, a atuação junto à população atingida, incluindo moradores do Parque Burnier, envolve frentes integradas de acolhimento, saúde, assistência social e resposta operacional.

A Prefeitura reforça que, mesmo em vias que não tenham sido formalmente evacuadas, moradores devem sair de casa imediatamente em caso de insegurança ou ao perceberem qualquer sinal de risco, como trincas, estalos, deslizamentos, inclinação de árvores ou postes, surgimento de rachaduras, movimentação do terreno, aumento repentino de infiltrações ou qualquer mudança incomum na estrutura do imóvel ou do entorno. O retorno ao imóvel ou à área só poderá ocorrer após análise técnica e liberação da Defesa Civil.

No eixo de acolhimento e apoio às famílias atingidas, a Prefeitura mantém atendimento às pessoas desabrigadas e desalojadas, com gestão de abrigos provisórios e oferta de suporte psicossocial, além de articulação com a rede municipal de saúde e assistência social para encaminhamentos necessários. Na área da saúde, há atendimento às vítimas nos abrigos emergenciais e em outros pontos da rede, incluindo triagem, atendimentos, dispensação de medicamentos, identificação de sinais de doenças infecciosas e atualização vacinal, com apoio de equipes mobilizadas para atuação em situações de urgência e emergência.

Em relação às interdições de imóveis, a Prefeitura esclarece que as interdições e liberações são definidas com base em avaliação técnica, com o objetivo exclusivo de preservar vidas. A Defesa Civil segue realizando vistorias nas regiões atingidas, etapa necessária para a liberação segura de áreas interditadas, e mantém monitoramento permanente das situações de risco, atendendo demandas pelo 199. A orientação é que a população respeite interdições e não ultrapasse bloqueios, não permaneça em imóveis interditados e não realize retirada de terra, entulho ou intervenções por conta própria sem avaliação técnica, acionando a Defesa Civil sempre que houver risco.

Sobre as solicitações de limpeza de vias e redução de poeira, a Prefeitura informa que atua com serviços de zeladoria nas áreas afetadas por alagamentos, inundações e movimentação de terra, incluindo limpeza de ruas e córregos, desobstrução de vias, remoção de lama e entulho e recuperação de pavimentação, com organização e direcionamento de equipes e maquinário para atendimento emergencial e restabelecimento de serviços urbanos essenciais.

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Joubertt Telles é graduado em jornalismo pelo Centro Universitário Estácio Juiz de Fora, em 2010, e possui curso de Processo de Comunicação e Comunicação Institucional pela Fundação Getúlio Vargas. Trabalha na Itatiaia Juiz de Fora desde 2016, como repórter e apresentação. Prêmio Sindicomércio de Jornalismo 2017, na categoria rádio. Prêmios do Instituto Cultura do Samba como destaque do jornalismo local, em 2016 e 2017. Já atuou na Rádio Globo Juiz de Fora, TVE e Diário Regional, além de ter desempenhado função de assessor parlamentar na Câmara Municipal de Juiz de Fora.

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