Cientistas criam café espresso sem utilizar água quente; entenda
Nova técnica usa ondas ultrassônicas para extrair sabor e aroma do café em poucos minutos, reduzindo drasticamente o consumo de energia

O tradicional espresso, conhecido por sua preparação com água quase fervente e alta pressão, pode estar prestes a ganhar uma alternativa revolucionária. Pesquisadores desenvolveram um novo método capaz de produzir um café com intensidade semelhante à do espresso sem utilizar água quente. Em vez disso, a técnica recorre a ondas ultrassônicas para extrair os compostos do café de forma eficiente e econômica.
O estudo, publicado no periódico científico Journal of Food Engineering, mostrou que as vibrações sonoras de alta frequência conseguem acelerar a extração dos componentes presentes no pó de café mesmo em temperatura ambiente. O resultado é uma bebida concentrada, com características sensoriais comparáveis às do espresso tradicional, preparada em apenas dois a três minutos.
Segundo os pesquisadores, a principal diferença está no uso de um equipamento que transmite ondas ultrassônicas à água. Essas ondas geram pequenas bolhas microscópicas que se formam e colapsam rapidamente, fenômeno capaz de liberar aromas, sabores e outras substâncias presentes nos grãos moídos sem a necessidade de aquecimento intenso.
Além de mudar a forma de preparar café, a tecnologia também apresenta uma vantagem importante do ponto de vista energético. Os testes indicaram que o novo sistema consumiu apenas cerca de 24% da energia utilizada por uma máquina de espresso convencional. Isso representa uma redução superior a 75% no gasto energético durante o preparo da bebida.
Os autores do estudo destacam que o método pode ter impacto significativo em cafeterias, restaurantes e até mesmo na indústria de equipamentos para café. Como a técnica dispensa água em temperaturas entre 90°C e 95°C e não depende das altas pressões normalmente exigidas para um espresso, ela pode abrir caminho para máquinas mais eficientes e sustentáveis.
Outro aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a avaliação sensorial das bebidas produzidas. Os testes apontaram que os participantes tiveram dificuldade para distinguir o café preparado por ultrassom daquele feito pelo método tradicional, indicando que a nova abordagem consegue preservar atributos importantes de sabor e aroma.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



