Muita gente que trabalha o dia inteiro quase não consegue
Mas será que isso realmente funciona?
Segundo o cardiologista Ravindranath Reddy, em entrevista ao site de notícias Times of India, essa é uma dúvida comum nos consultórios: fazer exercício só no fim de semana é suficiente para proteger o coração? A resposta curta é que ajuda, mas não apaga totalmente os efeitos de passar a semana quase sem se mover.
os dias úteis são corridos, a orientação é pensar pequeno. Uma caminhada rápida de 20 minutos após o jantar, subir escadas, ficar em pé durante ligações, alongar-se entre reuniões. Mesmo movimentos curtos já quebram longos períodos sentado e mantêm o corpo mais ativo. Assim, o treino do fim de semana vira um bônus, não uma missão de resgate.
Do ponto de vista cardiovascular, a regularidade importa. O coração e os vasos sanguíneos respondem melhor a estímulos frequentes. A atividade física melhora a sensibilidade à insulina, reduz a frequência cardíaca de repouso, favorece a dilatação dos vasos e ajuda a controlar a pressão arterial. Quando o movimento fica concentrado em um ou dois dias, os benefícios ainda aparecem, mas de forma menos distribuída ao longo do tempo.
Grandes estudos populacionais mostram que os chamados guerreiros de fim de semana, pessoas que atingem a meta semanal de exercícios em uma ou duas sessões, têm menor risco de doença cardíaca e morte precoce em comparação com quem permanece inativo. Isso é animador e prova que fazer exercício concentrado é muito melhor do que não fazer nada.
Por outro lado, passar muitas horas sentado gera seu próprio impacto no organismo. A inatividade prolongada está ligada a pior controle do açúcar no sangue, metabolismo mais lento das gorduras e mudanças sutis na função dos vasos. Mesmo quem se exercita pode ter maior risco cardiometabólico quando permanece sedentário por longos períodos. Em termos simples, o corpo não esquece completamente cinco dias parado só porque o domingo foi intenso.
Outro ponto de atenção é o padrão do treino. Muitas pessoas exageram para compensar a semana, com corridas longas repentinas, musculação pesada ou aulas muito intensas sem preparo adequado. Para um coração despreparado, picos súbitos de esforço podem aumentar o risco de lesões, arritmias e fadiga excessiva, especialmente em quem tem pressão alta não diagnosticada, privação de sono ou altos níveis de estresse. Quando alguém quase não se movimenta e depois exige demais do corpo, músculos e articulações nem sempre estão prontos, o que explica entorses, dores no joelho e problemas nas costas comuns nesses casos.
Isso não significa abandonar os treinos de fim de semana. As diretrizes atuais recomendam cerca de 150 minutos semanais de atividade moderada ou 75 minutos de exercício intenso, mas também alertam cada vez mais sobre os riscos de ficar sentado por muito tempo.
Pequenas mudanças durante a semana já fazem diferença real: levantar-se a cada 30 a 60 minutos, caminhar após as refeições, usar escadas quando possível, fazer pausas curtas para alongamento. Esses movimentos leves ajudam o corpo a lidar melhor com a glicose e melhoram a circulação, reduzindo a carga sobre o coração mesmo antes do exercício formal.