Quanto músculo dá para ganhar em um mês? O que a Ciência realmente diz sobre hipertrofia

Especialistas explicam por que mudanças rápidas nem sempre são reais e quais fatores determinam o crescimento muscular de forma consistente

Ganhar massa muscular em pouco tempo é um desejo comum entre quem frequenta academias. Promessas de transformações rápidas e resultados visíveis em poucas semanas alimentam a expectativa de mudanças quase imediatas no corpo. Mas a Ciência mostra que o processo é mais lento e complexo do que parece.

Uma análise publicada pela revista Women’s Health, com base nas explicações da fisióloga do exercício e treinadora certificada Jacque Crockford, esclarece quanto músculo é possível ganhar em um mês e por que nem toda mudança visível representa um crescimento real e duradouro.

Efeito imediato pode enganar

Depois de uma sessão intensa de musculação, é comum notar os músculos mais firmes e volumosos. Esse visual, no entanto, está ligado à chamada hipertrofia transitória, conhecida popularmente como ‘pump’.

Nesse caso, o aumento do volume ocorre pelo maior fluxo de líquidos para o músculo trabalhado. O efeito dura apenas algumas horas e não significa ganho efetivo de tecido muscular. As adaptações reais dependem de repetição, descanso e alimentação adequada ao longo do tempo.

Como o músculo cresce de verdade

Segundo Jacque Crockford, o crescimento muscular acontece quando o treinamento de força é combinado com uma estratégia nutricional consistente. Ao longo do tempo, esse estímulo aumenta o tamanho das fibras musculares.

O processo envolve as miofibrilas, estruturas proteicas responsáveis pela contração muscular, que se tornam mais espessas e fortes com o treino. O sarcoplasma, fluido que envolve essas fibras, também contribui para o aumento do volume muscular.

Cada exercício de resistência provoca microlesões no músculo. Durante a recuperação, o corpo repara esses danos, tornando o tecido mais resistente. A repetição contínua desse ciclo é o que leva à hipertrofia.

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Genética, hormônios e idade

O ritmo de ganho muscular varia bastante de pessoa para pessoa. De acordo com a especialista, indivíduos com genética masculina tendem a ganhar músculo mais rapidamente por conta de níveis mais elevados de testosterona, hormônio diretamente ligado ao desenvolvimento muscular.

Outros hormônios, como o hormônio do crescimento e a insulina, também influenciam o processo, sempre com forte componente genético. A idade é outro fator importante. Com o passar dos anos e a redução da atividade física, ocorre a sarcopenia, que é a perda progressiva de massa muscular.

Estudos citados no relatório indicam que esse processo pode começar no início dos 40 anos e se intensificar nas décadas seguintes, especialmente em pessoas sedentárias.

Afinal, quanto músculo é possível ganhar em um mês?

Para quem nunca treinou musculação, as mudanças visíveis mais consistentes costumam aparecer entre três e seis meses de prática regular, associada a uma boa alimentação.

Nas primeiras semanas, aumentos de força ou de peso corporal geralmente estão ligados a adaptações do sistema nervoso e à retenção de líquidos, e não ao crescimento estrutural do músculo.

Ainda assim, há exceções. “Em casos de alto potencial genético, é possível que alguém ganhe até um quilo de massa muscular em um mês”, explica Crockford. Segundo ela, esse ritmo é raro e difícil de prever.

Treinamento de força é o principal fator

O treino de resistência intenso e contínuo é a base para o crescimento muscular. Para estimular a hipertrofia, a recomendação é trabalhar com cargas entre 65% e 85% da repetição máxima.

Na prática, isso significa escolher um peso que permita realizar de seis a doze repetições por série, chegando próximo da falha muscular na última repetição. Exercícios para grandes grupos musculares, como pernas, costas e peito, além de maior tempo sob tensão, favorecem melhores resultados quando mantidos por meses.

Alimentação, sono e hidratação

Consumir calorias suficientes é essencial para ganhar massa muscular. Pesquisas publicadas na revista Nutrients indicam que a ingestão de cerca de 1,6 grama de proteína por quilo de peso corporal por dia contribui para o crescimento do músculo.

O sono tem papel central na recuperação. É durante o descanso que o corpo repara os microdanos causados pelo treino e otimiza a ação dos hormônios envolvidos nesse processo.

A hidratação também é fundamental. Manter o corpo bem hidratado ajuda na recuperação pós-treino, e a urina de coloração amarelo claro costuma ser um bom sinal de ingestão adequada de líquidos.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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