Exercício de força pode rejuvenescer o cérebro em até dois anos após os 60, aponta estudo

Pesquisa com participação de cientistas de cinco países mostra que fortalecer os músculos ajuda a desacelerar o envelhecimento cerebral

O exercício de força, que inclui atividades com pesos, elásticos ou o próprio peso do corpo, já é conhecido por fortalecer músculos e melhorar a mobilidade. Agora, um novo estudo científico revela um benefício ainda mais amplo. Pesquisadores identificaram que esse tipo de treino também pode rejuvenescer o cérebro de adultos com mais de 60 anos.

A pesquisa foi conduzida por cientistas ligados a instituições do Chile, Dinamarca, Canadá, Argentina e Irlanda e publicada na revista GeroScience. Pela primeira vez, os resultados mostraram que o treinamento muscular pode reduzir a idade biológica do cérebro entre um e dois anos, mesmo em pessoas idosas.

O trabalho reuniu especialistas do Instituto Latinoamericano de Salud Cerebral da Universidad Adolfo Ibáñez, do Instituto Neurológico de Montreal e do Trinity College Dublin, além de centros científicos da Dinamarca. Entre os autores está o neurocientista argentino Agustín Ibáñez.

Em entrevista ao site Infobae, Ibáñez destacou que, embora o estudo tenha alto nível de evidência, ainda precisa ser testado em populações mais diversas. Mesmo assim, ele afirma que os dados reforçam uma ideia importante. Da mesma forma que a demência acelera o envelhecimento do cérebro, fatores como exercício físico, sono adequado, criatividade e interação social podem retardá-lo. Segundo o pesquisador, isso abre caminho para políticas públicas que valorizem a saúde cerebral ao longo da vida.

Músculos como aliados do cérebro

A pesquisa surgiu de uma lacuna científica. Estudos anteriores focavam principalmente exercícios aeróbicos ou analisavam áreas isoladas do cérebro, sem observar o envelhecimento cerebral como um todo. Também eram trabalhos de curta duração, o que dificultava entender os efeitos no longo prazo.

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Para responder a essa questão, os cientistas acompanharam durante um ano o impacto do treinamento de força na saúde cerebral. O estudo utilizou técnicas modernas de neuroimagem e modelos computacionais conhecidos como relógios cerebrais, capazes de estimar a idade biológica do cérebro a partir de exames de ressonância magnética.

Assim, foi possível comparar a idade cronológica com a idade cerebral e verificar se o exercício realmente desacelera o envelhecimento.

Como foi feito o estudo

A pesquisa analisou 309 adultos entre 62 e 70 anos que participaram do ensaio clínico LISA, realizado na Dinamarca. Os voluntários foram divididos em três grupos: treino de força intenso, treino moderado e grupo sedentário.

Durante um ano, os participantes dos grupos ativos seguiram programas supervisionados de exercícios de força e funcionalidade. Todos passaram por avaliações de força muscular e exames cerebrais no início do estudo, após um ano e depois de dois anos.

Os resultados foram claros. Apenas os grupos que fizeram treino de força apresentaram redução significativa da idade cerebral. O grupo sedentário não mostrou melhora.

No grupo de treino intenso, o cérebro ficou em média 1,4 ano mais jovem após um ano e 1,85 ano mais jovem após dois anos. Já no grupo moderado, a redução foi de 1,39 ano após um ano e 2,26 anos após dois anos.

Segundo os pesquisadores, o efeito ocorreu no cérebro de forma global, e não apenas em áreas específicas. Além disso, houve melhora da conectividade funcional na região pré-frontal, área ligada à atenção e ao controle executivo.

Impactos e próximos passos

Os cientistas observaram que os benefícios persistiram mesmo um ano após o fim do treinamento. Ainda assim, eles ressaltam que os resultados se aplicam principalmente a adultos mais velhos, saudáveis e de alta renda europeia, grupo que predominou na amostra.

Embora a redução da idade cerebral tenha sido estatisticamente significativa, o impacto clínico ainda precisa ser confirmado em estudos mais longos e com populações diferentes.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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