O Vitória foi o único dos grandes clubes nordestinos que conseguiu apresentar um balaço, relativo a 2022, com superávit. Entre receitas e despesas, um total de R$ 33 milhões foram abatidos na dívida líquida rubro-negra no ano passado - após uma sequência de cinco anos consecutivos de déficits. Um saldo que veio, essencialmente, graças a adesão do clube ao Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), renegociando, em agosto de 2022, o débito de R$ 117 milhões junto à Receita Federal.
A ação possibilitou ao clube reduzir de R$ 117.059.633,90 para R$ 59.754.782,16 os débitos que se encontravam registrados em Dívida Ativa na PGNF (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional). Em entrevista à Itatiaia, o presidente Fábio Mota explicou como vem fazendo para lidar com as dívidas do clube.
“Tivemos um desconto de R$ 57 milhões após a negociação e parcelamos essa dívida. Hoje pagamos R$ 180 mil de parcelas. Na Justiça do Trabalho, fizemos um acordo de credores e pagamos R$ 167 mil por mês e paramos de ter contas bloqueadas. ICMS, IPTU a mesma coisa. Sanamos toda a parte fiscal. O Vitória, depois de anos, consegue tirar todas as suas certidões e com isso surgem novos negócios. Podemos entrar com pedidos de recursos Municipal, Estadual, Federal, como o via Lei de Incentivo ao Esporte”, comemorou Fábio.
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O total da dívida de ICMS era de R$ 309 mil e contemplava débitos que se encontravam registrada em dívida ativa, sendo renegociado todo débito em até 60 parcelas mensais que somam o valor R$ 5 mil, já tendo sido paga inicialmente a parcela de R$ 43,4 mil. Apesar disso tudo, ainda assim o passivo líquido do Vitória segue sendo um dos mais altos do país: R$ 243 milhões.
“Do nosso passivo [dos R$ 243 mi], R$ 88 milhões são passivos que não são de impostos. Os outros todos são parcelados. O que o Vitória precisaria para sanar a sua dívida são R$ 88 mi, que são as dívidas que não estão nos impostos. São parcelamentos de INSS, Imposto de Renda que não foi recolhido, por exemplo. O Vitória é uma instituição que tem uma base muito forte e por muito tempo vendeu muitos jogadores e tem a tributação dos jogadores que foram vendidos e que não foram recolhidos”, explica o presidente, à frente do clube há cerca de um ano e meio.
“Boa parte [das dívidas] é com o Governo Federal. São tributos federais que deixaram de ser pagos, que virou execução fiscal e conseguimos parcelar todas. Quando você tira os impostos, sobram esses R$ 88 milhões, que seriam a dívida real do clube, fora impostos e fora o que está parcelado. O nosso desafio é equacionar isso. Quando cheguei, o Vitória devia R$ 11,7 milhões de ‘transfer ban’. Jogadores que foram adquiridos por outras administrações e não foram pagos e o clube estava sem poder escrever novos atletas. Montamos um planejamento para a sobrevivência do clube”, detalhou Fábio Mota.
Evolução do passivo acumulado do Vitória
2017 (A): R$ 109.221.000 (+63%; +42)
2018 (A): R$ 143.110.000 (+31%; +33 mi)
2019 (B): R$ 144.398.000 (0,9%; +1 mi)
2020 (B): R$ 239.236.000 (+65%; +94 mi)
2021 (B): R$ 272.288.000 (+13%; +33 mi)
2022 (C): R$ 243.397.000 (-10%; -28 mi)
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Folha salarial do futebol
Atualmente, o Vitória lidera a Série B do Campeonato Brasileiro com 19 pontos - é inclusive líder há seis rodadas consecutivas. Em processo de reconstrução - o clube subiu da Série C no ano passado e tem batido recordes de público e número de sócios -, a maior preocupação do presidente Fábio Mota é em manter a folha salarial da equipe em dia. Atualmente, segundo ele, o orçamento do clube para isso é de R$ 2,2 milhões.
“Hoje o desafio é manter isso, o parcelamento [das dívidas] e o salário em dia. Se conseguimos isso vamos saindo aos poucos. Não vamos fazer isso do dia para a noite, mas com planejamento fica mais fácil. Hoje temos bilheteria, patrocínio, cota da Série B... Com esse dinheiro, o Vitória precisa de R$ 5 milhões por mês para sobreviver e a gente corre atrás disso para fechar as contas”, pontuou.