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Susana Vieira: veja tudo o que se sabe sobre o estado de saúde da atriz com doenças incuráveis

Aos 81 anos, atriz tem leucemia linfocítica crônica, um tipo de câncer e anemia hemolítica autoimune; as doenças foram descobertas em 2015

A atriz Susana Vieira, de 81 anos, foi destaque desde esse domingo (19), após sua entrevista ao Fantástico, da TV Globo, quando a veterana revelou e lembrou o diagnóstico de Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) um tipo de câncer, uma doença incurável, e de e Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI) sendo ambas doenças não curáveis.

A atriz participou do programa para falar sobre sua trajetória de vida, esmiuçada no livro “A senhora do meu destino”, assinado por ela e o dramaturgo Mauro Alencar. No momento em que falava sobre os cuidados com a saúde, Susana abordou a doença. “Como tudo... arroz, feijão, farinha... adoro farinha. Como pão e tudo. Esses negócios de fazerem coisas na cara, não me chamam atenção, porque eu não precisei e, por isso, não faço. Não sou contra! A minha testa, na hora que eu achar que me incomoda, eu farei um botox, mas já sofri tanto injeção na vida por causa da doença que eu tive”, relatou.

As doenças foram descobertas em 2015, mas ganharam repercussão após novos relatos da atriz no domingo (19).

Leucemia Linfocítica Crônica

Conforme o Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), a “Leucemia Linfocítica Crônica (LLC) ocorre quando os linfócitos B (células do sangue responsáveis pela defesa do organismo a partir da produção de anticorpos e pela memória imunológica) passam a se reproduzir de forma acelerada e desordenada e perdem sua função”.

Eduardo Paton, médico hematologista e coordenador da Equipe de transplante e terapia celular do Câncer Center Oncoclinicas, em Belo Horizonte, esclarece que a doença “afeta os linfócitos maduros, que são células do sistema imunológico produzidas pela medula óssea”.

“Frequentemente é uma doença que tem poucos sintomas. É uma doença caracteristicamente de pacientes mais idosos. Muitas vezes esses pacientes não têm sintomas da doença, que tem uma evolução muito lenta e não precisam tratar inicialmente”, destaca.

Conforme o hematologista, o paciente “pode ficar vários anos só observando a evolução da doença”. Ela só chega a ser tratada quando ele “começa a apresentar falha na medula óssea na produção de glóbulos vermelhos e plaquetas, ou quando o paciente começa a apresentar alguns tumores maiores na região do tórax, do abdômen, principalmente, na região do pescoço”.

Alex Freire Sandes, hematologista do Grupo Fleury, em São Paulo, esclarece que a doença é descoberta em exames de rotina por meio de um hemograma. Nas fases mais avançadas, segundo ele, o paciente pode apresentar fraqueza, cansaço, sangramento nasal e na gengiva ao usar escova de dentes. “Não é uma doença rara, não é frequente como hipertensão, diabetes, mas é a forma mais comum de leucemia nos países ocidentais”, destaca.

Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI)

Por outro lado, segundo a pasta, “a anemia hemolítica autoimune (AHAI) é uma condição rara, na qual os anticorpos podem reagir contra as células do sangue. A recomendação para tratamento é o uso de corticosteroides e imunossupressores”.

“Quando o paciente não reage ao tratamento com os medicamentos, a retirada cirúrgica do baço ou de parte dele é indicado, devido ao excesso de substâncias que são produzidas pelo corpo e, em função da condição do paciente, acabam sobrecarregando esse órgão”, acrescenta.

Tratamento

Os especialistas explicam sobre o tratamento. Eduardo Paton comenta que “o tratamento geralmente é feito com quimioterapia e também com novas terapias, que são chamadas terapias alvo, porque os pacientes em geral são muito idosos e não toleram quimioterapia mais agressiva”.

Conforme o médico, o paciente não é submetido a um transplante de medula óssea justamente por causa da idade. “Não tem prevenção, não é uma doença que é prevenível, até porque não tem uma causa estabelecida”, diz.

O hematologista de São Paulo pontua. “Não tem um tratamento curativo, mas a gente consegue fazer um tratamento indicado e controlar a doença de uma forma que a pessoa tenha uma vida normal. É uma doença super controlável e quando a gente fala incurável parece uma sentença de morte para algumas pessoas, mas não é".

Eduardo Paton acrescenta: “A gente considera essa doença tratável, controlável, assim como diabetes e hipertensão arterial. É uma doença que a gente não visa cura, mas visa o controle. Como geralmente o paciente que tem essa doença já é muito idoso, ele, frequentemente, vive muitos anos com a doença, acaba falecendo de outra causa, falece com a doença, mas não por causa da doença”.

“Após diagnosticar essa LLC a gente vai classificá-la em três grupos de estadiamento: A (inicial), B (intermediário) e C (avançado). A inicial a gente não precisa tratar, a pessoa fica em observação por anos, sem a doença evoluir. Nessa fase que é a C, que é mais avançada, o tratamento depende de alguns fatores de risco”, afirma Alex Freire Sandes.

“Antigamente era a base de quimioterapia e imunoterapia, que se fazia junto, mas hoje são medicamentos que são direcionados e chegam a ser mais imunoterápicos. O paciente faz uso de um medicamento diariamente, mas o tipo de tratamento vai depender de cada pessoa”, acrescenta o médico.

A doença não é hereditária. “Geralmente, são mutações que a gente adquire a medida que a gente vai envelhecendo, que dá um gatilho para virar LLC”, diz.

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