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Susana Vieira, com câncer incurável: médicos explicam como funciona o tratamento

Susana Vieira voltou a falar sobre doença descoberta em 2015 durante programa na TV Globo

O relato de Susana Vieira sobre seu estado de saúde repercutiu nesta segunda-feira (20) e causou curiosidade sobre os sintomas da doença e tratamento. Em entrevista ao “Fantástico”, a atriz, de 81 anos, recordou duas doenças que possui: Leucemia Linfocítica Crônica (LLC), um tipo de câncer, e Anemia Hemolítica Autoimune (AHAI). Na ocasião, ela explicou que a primeira não tem cura, mas está estabilizada.

Eduardo Paton, médico hematologista e coordenador da Equipe de transplante e terapia celular do Câncer Center Oncoclinicas, em Belo Horizonte, esclarece que a doença “afeta os linfócitos maduros, que são células do sistema imunológico produzidas pela medula óssea”.

“Frequentemente é uma doença que tem poucos sintomas. É uma doença caracteristicamente de pacientes mais idosos. Muitas vezes esses pacientes não têm sintomas da doença, que tem uma evolução muito lenta e não precisam tratar inicialmente”, destaca.

Conforme o hematologista, o paciente “pode ficar vários anos só observando a evolução da doença”. Ela só chega a ser tratada quando ele “começa a apresentar falha na medula óssea na produção de glóbulos vermelhos e plaquetas, ou quando o paciente começa a apresentar alguns tumores maiores na região do tórax, do abdômen, principalmente, na região do pescoço”.

Alex Freire Sandes, hematologista do Grupo Fleury, em São Paulo, e detentor do laboratório Hermes Pardini, esclarece que a doença é descoberta em exames de rotina por meio de um hemograma. Nas fases mais avançadas, segundo ele, o paciente pode apresentar fraqueza, cansaço, sangramento nasal e na gengiva ao usar escova de dentes. “Não é uma doença rara, não é frequente como hipertensão, diabetes, mas é a forma mais comum de leucemia nos países ocidentais”, destaca.

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Tratamento

Os especialistas explicam sobre o tratamento. Eduardo Paton comenta que “o tratamento geralmente é feito com quimioterapia e também com novas terapias, que são chamadas terapias alvo, porque os pacientes em geral são muito idosos e não toleram quimioterapia mais agressiva”.

Conforme o médico, o paciente não é submetido a um transplante de medula óssea justamente por causa da idade. “Não tem prevenção, não é uma doença que é prevenível, até porque não tem uma causa estabelecida”, diz.

O hematologista de São Paulo pontua. “Não tem um tratamento curativo, mas a gente consegue fazer um tratamento indicado e controlar a doença de uma forma que a pessoa tenha uma vida normal. É uma doença super controlável e quando a gente fala incurável parece uma sentença de morte para algumas pessoas, mas não é".

Eduardo Paton acrescenta: “A gente considera essa doença tratável, controlável, assim como diabetes e hipertensão arterial. É uma doença que a gente não visa cura, mas visa o controle. Como geralmente o paciente que tem essa doença já é muito idoso, ele, frequentemente, vive muitos anos com a doença, acaba falecendo de outra causa, falece com a doença, mas não por causa da doença”.

“Após diagnosticar essa LLC a gente vai classificá-la em três grupos de estadiamento: A (inicial), B (intermediário) e C (avançado). A inicial a gente não precisa tratar, a pessoa fica em observação por anos, sem a doença evoluir. Nessa fase que é a C, que é mais avançada, o tratamento depende de alguns fatores de risco”, afirma Alex Freire Sandes.

“Antigamente era a base de quimioterapia e imunoterapia, que se fazia junto, mas hoje são medicamentos que são direcionados e chegam a ser mais imunoterápicos. O paciente faz uso de um medicamento diariamente, mas o tipo de tratamento vai depender de cada pessoa”, acrescenta o médico.

A doença não é hereditária. “Geralmente, são mutações que a gente adquire a medida que a gente vai envelhecendo, que dá um gatilho para virar LLC”, diz.


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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‘NaTelinha’ e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.
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