A sensação de estar perdido na carreira costuma ser interpretada como falta de planejamento ou de ambição. No entanto, um artigo publicado pela revista Forbes, em janeiro de 2026, aponta que essa confusão profissional muitas vezes surge porque as pessoas seguem modelos de carreira que não combinam com sua forma de pensar, se motivar e lidar com mudanças.
Segundo a publicação, o cientista social Arthur Brooks lista quatro grandes caminhos de carreira que ajudam a explicar como as pessoas constroem sua vida profissional ao longo do tempo: especialista, linear, transitório e espiral. A proposta não é indicar qual é o “melhor” caminho, mas mostrar que a satisfação no trabalho está diretamente ligada ao alinhamento entre a trajetória escolhida e a identidade pessoal.
Especialista
O primeiro modelo é o caminho do especialista, marcado pela dedicação prolongada a uma única área. Nesse percurso, o avanço profissional não acontece por meio de trocas frequentes de cargo, mas pelo aprofundamento técnico e pelo domínio progressivo de uma função específica.
Segundo a Forbes, esse tipo de trajetória costuma atrair profissionais como engenheiros, médicos, pesquisadores, artistas e artesãos, que encontram satisfação no aperfeiçoamento contínuo. A revista cita estudos em psicologia que indicam que pessoas com forte continuidade de identidade no trabalho tendem a apresentar maior resiliência e menor risco de esgotamento emocional.
Esse caminho, no entanto, pode gerar frustração em ambientes que exigem reinvenção constante ou mudanças frequentes de função.
Linear
O segundo caminho é o linear, mais próximo da ideia tradicional de carreira como uma escada. Nesse modelo, o progresso é medido por promoções, aumento de responsabilidades, reconhecimento formal e crescimento salarial.
Segundo a análise da Forbes, profissionais que seguem essa trajetória costumam se sentir mais motivados quando há critérios claros de avanço e metas bem definidas. O crescimento precisa ser visível e validado externamente para gerar sensação de sucesso.
O risco, de acordo com a revista, surge quando a busca por promoções se desconecta dos valores pessoais. Nesses casos, o avanço pode perder significado emocional, mesmo que haja ganhos materiais.
Transitório
Já o caminho transitório é marcado por mudanças frequentes entre áreas, cargos ou setores. Diferentemente do modelo linear, aqui a variedade não é um efeito colateral, mas o principal fator de motivação.
A Forbes destaca pesquisas que associam a busca por novidade a níveis mais altos de bem-estar. Pessoas que seguem esse percurso tendem a se sentir mais energizadas durante transições e aprendizados iniciais, enquanto a rotina prolongada pode gerar desmotivação.
Segundo a revista, esses profissionais costumam ser interpretados como instáveis ou pouco comprometidos, quando, na verdade, estão respondendo a uma necessidade psicológica por diversidade e estímulo constante.
Espiral
O quarto modelo apresentado é o caminho em espiral, que combina elementos dos percursos linear e transitório. Nele, as mudanças acontecem ao longo do tempo, mas cada nova etapa aproveita habilidades e experiências acumuladas anteriormente.
De acordo com a Forbes, esse tipo de carreira é comum entre profissionais que buscam evolução sem recomeçar do zero. Eles valorizam aprendizado e transformação, mas precisam que as transições façam sentido dentro de uma narrativa coerente.
Estudos citados pela revista indicam que a integração da identidade durante mudanças profissionais está associada a maior satisfação com a vida, especialmente quando há paciência para lidar com períodos de transição.