O cargo de engenheiro naval na Petrobras está entre as oportunidades mais específicas e estratégicas dos concursos da estatal. A função está diretamente ligada à operação de plataformas offshore, navios, embarcações de apoio e estruturas flutuantes utilizadas na exploração e transporte de petróleo e gás.
As informações sobre o cargo, o perfil da prova e estratégias de preparação foram analisadas pelo engenheiro mecânico Willian Rabello, aprovado em concurso público e especialista em preparação para concursos.
Segundo Rabello, a carreira atrai profissionais interessados em atuar na maior estrutura offshore do país. “O engenheiro naval participa de atividades que vão desde o projeto de embarcações até a logística marítima que sustenta a produção de petróleo e gás”, explica.
O que faz um engenheiro naval na Petrobras
De acordo com editais anteriores da Petrobras, o profissional atua em diversas frentes relacionadas às operações marítimas da empresa.
Entre as principais atividades estão:
- Planejamento e fiscalização de projetos e obras marítimas
- Manutenção e operação de navios e embarcações de apoio
- Acompanhamento de plataformas e estruturas flutuantes
- Gestão da logística de transporte de petróleo, derivados e gás natural
- Fiscalização técnica e administrativa de contratos e serviços
Na prática, o engenheiro naval participa do desenvolvimento e da manutenção de estruturas como navios-tanque, FPSOs (navios-plataforma), plataformas de produção e embarcações de apoio.
Requisitos para concorrer ao cargo
Para disputar a vaga de Engenheiro Naval (Ênfase 21), normalmente é exigido:
- Diploma de graduação em Engenharia Naval
- Formação reconhecida pelo MEC
- Registro no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA)
Outras engenharias podem ser aceitas desde que o candidato apresente certidão do conselho profissional comprovando atribuições equivalentes às da engenharia naval.
Rabello destaca que a graduação em engenharia naval é relativamente rara no Brasil, sendo oferecida por poucas universidades, como USP, UFRJ e UFPA.
Quantas vagas já foram ofertadas
No último concurso da Petrobras para nível superior (edital 2021.1), a área de Engenharia Naval contou com:
- 21 vagas imediatas
- 105 vagas no total, incluindo cadastro de reserva
A distribuição ocorreu entre:
- ampla concorrência
- pessoas com deficiência (PcD)
- candidatos negros
Segundo Rabello, a concorrência tende a ser menor em comparação com outras áreas da engenharia, justamente pela quantidade limitada de profissionais formados nessa especialidade.
Outras áreas em que o engenheiro naval pode atuar no concurso
Além da especialidade de engenharia naval, o profissional também pode disputar cargos que aceitam qualquer formação em engenharia.
Entre eles:
- Engenharia de Petróleo
- Engenharia de Segurança de Processo
- Engenharia de Segurança do Trabalho (com pós-graduação específica)
Também existem funções administrativas ou técnicas, como:
- comércio e suprimento
- transporte marítimo
- tecnologia da informação
- ciência de dados
Isso amplia significativamente o número de oportunidades disponíveis para quem possui formação em engenharia.
Salário e benefícios
A remuneração dos engenheiros da Petrobras segue o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) negociado entre a empresa e os sindicatos.
Além do salário-base, os profissionais podem receber benefícios como:
- participação nos lucros e resultados (PLR)
- plano de saúde Petrobras Saúde
- previdência complementar (Petros)
- auxílio-alimentação e refeição
- auxílio-creche
- seguro de vida
Dependendo da função, o engenheiro naval pode atuar em regime embarcado, o que inclui adicionais e pode elevar a remuneração total.
Como é a prova do concurso
A prova para cargos de nível superior da Petrobras costuma ter 70 questões objetivas, divididas em dois blocos.
Conhecimentos básicos – 20 questões
- Português (10)
- Inglês (10)
Essa etapa possui caráter eliminatório, ou seja, é necessário atingir a pontuação mínima para continuar no processo.
Conhecimentos específicos – 50 questões
As perguntas abordam conteúdos técnicos relacionados à área de engenharia naval.
Principais conteúdos cobrados
Com base no último edital, o conteúdo específico é dividido em três blocos principais.
Arquitetura naval e hidrodinâmica
Entre os temas mais comuns estão:
- estabilidade de embarcações
- equilíbrio de corpos flutuantes
- características hidrostáticas
- resistência ao avanço
- comportamento de navios em ondas
- teoria da camada limite
- análise de escoamento de fluidos
Resistência estrutural
Esse bloco envolve conceitos ligados à mecânica das estruturas marítimas, como:
- esforços e tensões em estruturas
- diagramas de momentos e forças
- flambagem de placas e vigas
- fadiga estrutural
- dimensionamento da viga-navio
- vibração estrutural
Máquinas marítimas e construção naval
Entre os conteúdos cobrados estão:
- sistemas de propulsão naval
- motores de combustão interna
- bombas, turbinas e compressores
- sistemas de lastro e carga
- equipamentos de convés
- normas ambientais marítimas (MARPOL)
- métodos de construção naval
- etapas de projeto de embarcações
Como se preparar para o concurso
Segundo Willian Rabello, a prova exige domínio técnico e planejamento de estudos bem estruturado.
Entre as principais recomendações estão:
1. Garantir pontuação nas disciplinas básicas
Português e Inglês são eliminatórios.
2. Priorizar arquitetura naval e hidrodinâmica
Esses conteúdos costumam ter grande peso na prova.
3. Estudar resistência estrutural com profundidade
Temas como viga-navio, flambagem e fadiga aparecem com frequência.
4. Revisar máquinas marítimas e sistemas de bordo
Conteúdos aplicados à operação das embarcações.
5. Resolver provas anteriores da banca Cesgranrio
A banca costuma organizar concursos da Petrobras e possui um estilo específico de cobrança.
Para Rabello, o candidato que combina domínio técnico, resolução de questões e planejamento de estudos aumenta significativamente suas chances de aprovação no concurso da estatal.