Engenharia de Petróleo na Petrobras: a ênfase que aceita qualquer formação em Para engenheiros que sonham em trabalhar na Petrobras, mas acreditam que sua formação não se encaixa nas ênfases tradicionais do concurso, a área de Engenharia de Petróleo pode representar uma oportunidade estratégica.
De acordo com Maria Luísa Cerqueira, especialista em concursos e mentora do Concurseiro Zero1, essa é uma das poucas ênfases que aceita bacharelado em qualquer Engenharia reconhecida pelo MEC, desde que o candidato possua registro no CREA. Diferentemente de outras áreas, não é exigida certidão específica de atribuições técnicas.
“Essa característica amplia significativamente o público apto a disputar as vagas. Engenheiros civis, mecânicos, eletricistas, químicos, ambientais, de produção, navais e de outras especialidades podem concorrer em igualdade de condições”, explica Maria Luísa.
O que faz um engenheiro de petróleo na Petrobras
Segundo os editais anteriores da estatal, o engenheiro de petróleo atua diretamente nas atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural. Entre as atribuições estão:
- Estudos e execução de projetos ligados à exploração e produção;
- Atuação em perfuração, avaliação e completação de poços;
- Análise de reservatórios;
- Acompanhamento de sistemas de produção, inclusive offshore;
- Fiscalização técnica e administrativa de contratos.
Trata-se de uma atuação no chamado “core business” da empresa, ou seja, no centro das operações da Petrobras.
Requisitos para concorrer
Para disputar a vaga, é necessário:
- Diploma de bacharelado em qualquer Engenharia reconhecida pelo MEC;
- Registro ativo no respectivo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA).
Maria Luísa destaca que o grande diferencial está justamente na ausência de exigência de certidão de atribuições específicas. “Isso torna a ênfase especialmente interessante para quem não encontra aderência direta entre sua graduação e outras áreas do edital”, afirma.
Histórico de vagas
No último concurso realizado (edital 2021.1), a ênfase em Engenharia de Petróleo ofertou 485 vagas no total, entre imediatas e cadastro de reserva — uma das maiores ofertas entre todas as engenharias.
Foram 97 vagas imediatas, distribuídas entre ampla concorrência, pessoas com deficiência e candidatos negros, além de formação de cadastro de reserva que ampliou significativamente o número total de oportunidades.
Para Maria Luísa, o volume expressivo de vagas aumenta a atratividade da área, especialmente para candidatos dispostos a estudar conteúdos específicos de petróleo e gás.
Estrutura da prova
A seleção de nível superior da Petrobras costuma ser composta por 70 questões objetivas, divididas em dois grandes blocos:
- 20 questões de conhecimentos básicos (Português e Inglês), de caráter eliminatório;
- 50 questões de conhecimentos específicos.
A especialista alerta para a importância estratégica da parte básica. “Não adianta ter excelente desempenho nas específicas se o candidato não atingir a pontuação mínima em Português e Inglês. Essa etapa elimina muitos concorrentes”, ressalta.
Nos conteúdos específicos, a prova tradicionalmente se organiza em três eixos:
- Fundamentos de engenharia e exatas (cálculo, física, mecânica dos fluidos, termodinâmica, resistência dos materiais);
- Engenharia de petróleo e gás (geologia, reservatórios, perfuração, sistemas submarinos, elevação e escoamento);
- Matemática e estatística (probabilidade, estatística descritiva, matemática financeira).
Salários e benefícios
A remuneração segue o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da Petrobras, atualizado periodicamente. Além do salário-base, o pacote costuma incluir:
- Participação nos lucros e resultados (PLR);
- Plano de saúde;
- Previdência complementar;
- Auxílios alimentação e refeição;
- Seguro de vida;
- Possibilidade de adicionais para trabalho embarcado.
A atuação offshore, quando existente, pode elevar significativamente a remuneração final devido aos adicionais previstos.
Estratégia de preparação
Para Maria Luísa Cerqueira, a preparação exige planejamento estruturado, especialmente para quem não tem formação específica em petróleo.
Entre as orientações da mentora estão:
- Priorizar inicialmente Português e Inglês, por serem eliminatórios;
- Revisar fundamentos de cálculo, física e termodinâmica;
- Estudar os conteúdos de petróleo e gás mesmo que não tenham feito parte da graduação;
- Resolver provas anteriores da banca organizadora;
- Acompanhar notas de corte históricas para calibrar a meta de desempenho.
Vale a pena escolher essa ênfase?
A decisão entre Engenharia de Petróleo e a ênfase específica da própria formação depende do perfil do candidato.
A especialista recomenda considerar Engenharia de Petróleo quando:
- O objetivo for ampliar as chances em uma área com grande número de vagas;
- Houver interesse real em atuar com exploração e produção;
- O candidato estiver disposto a estudar conteúdos técnicos novos;
- Houver interesse em trabalho offshore.
Já optar pela ênfase específica pode ser vantajoso para quem já domina profundamente os conteúdos da própria área e busca menor concorrência relativa.
Para Maria Luísa Cerqueira, a Engenharia de Petróleo se consolida como uma das alternativas mais estratégicas do concurso da Petrobras para engenheiros que desejam ingressar na estatal, mesmo sem formação direta na área de óleo e gás.