Quando se discute o futuro do trabalho, a inteligência artificial costuma ocupar o centro do debate. Segundo a Forbes, a tecnologia já influencia diretamente a forma como empresas operam e como profissionais executam suas funções.
No entanto, especialistas ouvidos pela revista destacam que as transformações previstas para 2026 vão além da IA e envolvem mudanças estruturais no modelo de gestão, na relação com os funcionários e no papel das habilidades humanas.
De acordo com a Forbes, a alfabetização tecnológica será uma competência básica nos próximos anos, acompanhada da capacidade de trabalhar de forma integrada com sistemas de inteligência artificial. Ainda assim, há consenso de que os impactos mais profundos ocorrerão na forma como as pessoas são avaliadas, contratadas e lideradas.
Confira cinco tendências centrais que devem marcar o mercado de trabalho em 2026.
1. Habilidades humanas
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Segundo a Forbes, especialistas avaliam que o termo “soft skills” já não traduz a importância das competências humanas no novo cenário. Em entrevista à revista, Jen Paterno, cientista comportamental sênior da CoachHub, afirmou que essas habilidades passaram a ser tratadas como “power skills”, por influenciarem diretamente liderança, desempenho e adaptação às mudanças.
À medida que a IA assume tarefas técnicas e repetitivas, competências como inteligência emocional, criatividade, resiliência e influência social tendem a se tornar decisivas. A publicação aponta que empresas que investirem no desenvolvimento dessas habilidades devem ganhar vantagem competitiva.
A percepção também aparece entre trabalhadores mais jovens. Em entrevista à Forbes, Holger Reisinger, vice-presidente sênior da Jabra, explicou que a Geração Z valoriza habilidades humanas tanto quanto as técnicas, por entender que a tecnologia não substitui conexão e empatia.
2. Avaliação de desempenho passa a ser contínua
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Outro ponto destacado pela Forbes é a mudança nos modelos tradicionais de avaliação. Segundo Audra Stanton, head de produto da Ninety.io, plataforma de gestão empresarial, as avaliações anuais tendem a perder espaço para sistemas contínuos de feedback.
De acordo com a análise publicada, ferramentas de inteligência artificial devem apoiar esse processo ao identificar padrões de comunicação, engajamento e possíveis conflitos, permitindo intervenções mais rápidas por parte das lideranças.
No entanto, a Forbes ressalta que tecnologia não resolve sozinha a retenção de talentos. Em entrevista à revista, Tim Weerasiri, CFO da Ninety.io, afirmou que manter profissionais engajados exige alinhamento entre objetivos pessoais e os caminhos oferecidos pela empresa. Segundo ele, organizações que ignorarem esse fator devem enfrentar maior rotatividade.
3. Trabalho híbrido se torna diferencial
A revista Forbes também aponta mudanças na dinâmica do trabalho remoto. Dados citados pela publicação, de pesquisa da Owl Labs, indicam que aumentou o número de profissionais híbridos que frequentam o escritório quatro dias por semana, movimento conhecido como “hybrid creep”.
Em entrevista à Forbes, Frank Weishaupt, CEO da Owl Labs, explicou que esse cenário leva empresas a redesenharem seus escritórios para priorizar colaboração. Com isso, a flexibilidade tende a deixar de ser regra e passar a funcionar como benefício estratégico.
Segundo Kara Ayers, vice-presidente sênior de aquisição global de talentos da Xplor Technologies, ouvida pela revista, empresas que mantiverem arranjos flexíveis devem se destacar na atração e retenção de profissionais que valorizam autonomia e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
4. RH passa a ser cobrado por resultados
De acordo com a Forbes, o papel do RH deve mudar significativamente até 2026. A área deixará de ser avaliada apenas por iniciativas e passará a ser cobrada por impacto concreto nos resultados do negócio.
Em entrevista à revista, Shane Hadlock, diretora de clientes e tecnologia da Paycom, empresa de tecnologia e gestão de capital humano afirmou que haverá maior pressão por integração de sistemas e uso eficiente de tecnologia. Já Ryan Starks, head de crescimento da Rising Team, companhia de tecnologia e consultoria de cultura organizacional, explicou à Forbes que orçamentos de RH serão analisados com mais rigor, levando ao abandono de soluções pouco eficazes.
A tendência, segundo a publicação, é que sistemas baseados em IA assumam funções operacionais, liberando líderes para atividades estratégicas, como coaching e desenvolvimento de equipes.
5. Busca por habilidades somadas ao diploma
Atraso na emissão de certificado de pós-graduação prejudicou estudante
A Forbes também aponta uma mudança no peso da formação acadêmica. Segundo Kara Ayers, da Xplor Technologies, a lógica “skills-first” deve se consolidar, com maior valorização de habilidades práticas, aprendizado no trabalho e programas internos de capacitação.
Ainda assim, a revista ressalta que o diploma não perde totalmente sua relevância. Em entrevista à Forbes, Chris Graham, vice-presidente executivo da National University, afirmou que profissionais com graduação continuam tendo rendimentos médios superiores aos que possuem apenas ensino médio.
Segundo ele, muitos trabalhadores devem optar por combinar experiência prática com formação acadêmica ao longo da carreira, como estratégia para ampliar ganhos no longo prazo.