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Planalto omite ataques de Bolsonaro ao TSE e diz que evento com embaixadores foi 'intercâmbio de ideias'

Presidente convocou representantes de outros países e voltou a atacar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro

Planalto impediu entrada da imprensa e evento foi transmitido pelo Youtube

O Palácio do Planalto disse que o evento em que o presidente Jair Bolsonaro (PL) reuniu embaixadores para compartilhar informações falsas e atacar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi um "intercâmbio de ideias" sobre o processo eleitoral em curso no Brasil.

Bolsonaro falou durante 45 minutos e os diplomatas não emitiram declarações. A imprensa também foi proibida de entrar no local e a transmissão foi feita ao vivo, pela internet, pela estatal TV Brasil e a conta de Jair Bolsonaro no Youtube. O Planalto não confirma quais países enviaram representantes para o evento.

"O senhor Presidente da República sublinhou aos titulares e representantes diplomáticos presentes seu desejo de aprimorar os padrões de transparência e segurança do processo eleitoral brasileiro. Enfatizou que a prioridade é assegurar que prevaleça de modo inquestionável, a vontade do povo brasileiro nas eleições que se realizarão em 2 de outubro próximo", diz o Planalto em nota.

O governo ainda destacou a fala de Bolsonaro em que ele diz que sua carreira política é resultado do sistema democrático, mas não cita as declarações do presidente em que ele coloca em xeque o sistema eleitoral brasileiro.

Ataques contra TSE, ministros e urna eletrônica

O presidente Jair Bolsonaro (PL) convocou embaixadores de diversos países em uma cerimônia no Palácio do Planalto e reuniu uma série de ataques que vem proferindo nos últimos anos contra o sistema eleitoral brasileiro, a urna eletrônica e ministros que fazem parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


Bolsonaro abriu a apresentação mostrando trechos de um inquérito aberto pela Polícia Federal em 2018, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre uma invasão de hackers ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse mesmo inquérito motivou um pedido de abertura de investigação contra o próprio presidente, que já havia divulgado documentos sigilosos da PF sobre o assunto. Segundo ele, não há qualquer classificação de sigilo sobre o inquérito.

Bolsonaro também ofereceu, por duas vezes, a enviar cópias das investigações aos embaixadores, caso quisessem.

"Tudo começou nessa denúncia de conhecimento do TSE, onde um hacker diz claramente que teve acesso a tudo dentro do TSE, obteve acesso aos milhares de códigos-fonte e até a senha de um ministro do TSE", afirmou. "Segundo o TSE, os hackers ficaram oito meses dentro dos computadores e poderiam alterar nomes dos candidatos, transferir votos de um para outro", completou o presidente.

O TSE já se manifestou sobre o assunto e negou que a invasão tivesse gerado qualquer risco à integridade das eleições 2018 e que depois que o código-fonte dos programas são lacrados eletronicamente, não podem sofrer qualquer alteração. O Tribunal também lembrou que as urnas não são conectadas à internet e, por isso, não podem ser invadidas por um agente externo.

Ataques a ministros do TSE

Ainda durante a cerimônia, Bolsonaro voltou a atacar três ministros do STF e do TSE: Edson Fachin, que preside o Tribunal, Alexandre de Moraes, que assumirá o cargo durante as eleições deste ano, e Luís Roberto Barroso.

O presidente questionou a decisão do STF que determinou que seu adversário, Lula, deveria ter sido julgado pela Justiça Federal em Brasília e não em Curitiba. A decisão fez com que o petista pudesse concorrer legalmente às eleições deste ano.

"O ministro Fachin era relator do processo e resolveu tornar o Lula elegível. Por 3 votos a 2, o STF não o inocentou, mas anulou os julgamentos voltando para a 1ª instância. Ele reconquistou a possibilidade de ser elegível em setembro de 2021", disse.

Sobre Barroso, Bolsonaro disse que ele ganhou a confiança do PT para ser nomeado ministro após ter "defendido o terrorista Cesare Battisti".

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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