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Mulher morre ao retirar DIU: entenda como é o procedimento e quais os riscos

Operação foi realizada por médico cardiologista; caso aconteceu em Matozinhos, na Grande BH

Um médico cardiologista é investigado pela morte de uma paciente de 32 anos que teve complicações durante a retirada de um dispositivo intrauterino (DIU). O caso aconteceu em Matozinhos, na região metropolitana de Belo Horizonte, no sábado. A família de Jéssica Marques Vieira registrou um boletim de ocorrência por erro médico.

A Polícia Civil instaurou um inquérito e aguarda a finalização dos laudos periciais para concluir a apuração das causas e circunstâncias da morte da mulher.

Os procedimentos de colocação e retirada do DIU trazem riscos? Como são realizados? A Itatiaia conversou com a ginecologista Franciane Reis, do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (IPSEMG).

Quais os riscos do procedimento?

Segundo a médica, os procedimentos de inserção e retirada do dispositivo intrauterino são simples, mas não isentos de riscos. “Os procedimentos são invasivos, já que é colocado um corpo estranho - o DIU - no útero da mulher”, explico.

Segundo Franciane, há a possibilidade de doença inflamatória pélvica e infecção, já que durante o procedimento é levado um conjunto de bactérias para o útero.

O sangramento uterino aumentado também é outra complicação que pode ocorrer. “Dependendo da técnica, principalmente na inserção, pode ter sangramento aumentado e causar grande perda de sangue da paciente”, alerta a profissional.

Outro risco é a perfuração no útero, já que o procedimento é “feito às cegas”. O profissional não usa uma câmera no útero, apenas o tato.

A colocação do DIU tem contraindicações como qualquer outro procedimento médico, como no caso de pacientes que já apresentam problemas de saúde.

Retirada do DIU

A retirada do DIU, conforme a ginecologista Franciane Reis, é considerado simples. É necessário, por meio de técnica específica, “puxar a cordinha do DIU”. Relatos de complicações nesta etapa não são comuns.

Onde e por quem pode ser realizado?

Os procedimentos com DIU podem ser realizados em consultórios. Em casos específicos, quando a paciente sente dor intensa, o médico pode optar por sedação em um hospital.

O responsável pelo procedimento de Jéssica Marques é um cardiologista. O profissional, que não respondeu aos contatos da Itatiaia, atua em uma clínica que está em situação regular e pode funcionar normalmente, segundo a Prefeitura de Matozinhos.

Mas muita gente se pergunta: para este tipo de procedimento o responsável não deveria ser um ginecologista?

Segundo o Conselho Regional de Medicina, “médicos registrados estão autorizados a realizar os procedimentos que entenderem necessários aos pacientes, mas não podem anunciar-se como especialistas caso não tenham a especialidade registrada no CRM”.

Ou seja: pela lei, médicos não precisam atuar apenas com sua especialidade - apenas não podem se apresentar como especialista sem tê-la registrada no Conselho.

Giullia Gurgel é estudante de jornalismo e estagiária da Itatiaia.
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