Luísa Barreto detalha o papel dos ativos públicos e da governança no desenvolvimento de Minas

Gestora pública é diretora-presidente da Codemge e da Codemig; Segundo ela, o foco atual das empresas está em transformar patrimônio público em instrumento de geração de valor

Luísa Barreto é diretora-presidente da CODEMGE e da CODEMIG

O Itatiaia Negócios Cast recebe Luísa Barreto, diretora-presidente da CODEMGE/CODEMIG, para uma conversa sobre gestão pública, ativos estratégicos e decisões estruturantes que impactam o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. Ao longo do episódio, a convidada apresenta a atuação das empresas do Estado, sua trajetória como servidora pública e os desafios da tomada de decisão no setor público.

Logo no início da entrevista, Luísa explica o papel da CODEMGE e da CODEMIG como empresas irmãs, com quase 70 anos de história, responsáveis por ajudar Minas Gerais a crescer e se desenvolver por meio da gestão de ativos. Segundo ela, o foco atual está em transformar patrimônio público em instrumento de geração de valor. “O patrimônio de Minas, dos mineiros, tem que ser usado de forma inteligente para gerar cada vez mais valor”, afirmou.

Ela destaca que ativos públicos não devem ser tratados apenas como custo de manutenção. Para Luísa, imóveis, ativos turísticos e minerários precisam trabalhar a favor da economia mineira, gerando emprego, renda e desenvolvimento. “Nada parado gera riqueza, nada parado gera valor”, disse durante a conversa.

Outro ponto central do episódio é o momento vivido pelo Brasil na infraestrutura. Luísa afirma que o país vive um ciclo intenso de investimentos, impulsionado por deficiências históricas. Para ela, esse cenário exige projetos bem estruturados, planejamento de longo prazo e eficiência na aplicação dos recursos públicos. “O brasileiro paga muito imposto e precisa ver esse imposto revertido em bons projetos”, afirmou.

Ao falar de sua trajetória, Luísa destaca a combinação entre base técnica e vivência política como elemento central de sua atuação. Segundo ela, a política não deve ser rejeitada, mas entendida como caminho para viabilizar soluções. “A política é a forma de ouvir diferentes visões e construir soluções que gerem mais valor para o público”, explicou.

Ela também detalha as diferenças entre a gestão pública e a privada, ressaltando que o gestor público atua em um ambiente de regras mais restrito e sob maior pressão. “O gestor público só pode fazer aquilo que a lei permite”, afirmou, reforçando a responsabilidade na administração de recursos públicos.

Durante o episódio, Luísa aborda o papel estratégico do nióbio, mineral do qual Minas Gerais responde por cerca de 80% da produção mundial. Segundo ela, trata-se de um ativo ainda pouco compreendido pela população. “Aquilo que você não conhece, você não valoriza”, afirmou. Ao falar do novo acordo firmado com a CBMM, Luísa destacou que o principal avanço está na governança. “A gente fez um acordo que traz uma governança melhor, com mais transparência”, disse, ao explicar que o modelo garante receitas por décadas e participação do Estado em futuras explorações sem necessidade de novos investimentos.

No quadro Raio X, Luísa respondeu de forma direta sobre o papel do Estado. Questionada se o Estado deve ser grande ou eficiente, foi objetiva: “Eficiente, sempre. A gente já paga imposto demais”. Ao falar sobre ativos públicos, reforçou que patrimônio parado não gera valor. “Nada parado gera riqueza, nada parado gera valor”, afirmou. Sobre planejamento, foi categórica: “Não existe nada sem planejamento. Planejamento é fundamental”.

Na Pergunta de Ouro da audiência, Luísa foi questionada sobre como garantir que recursos de grandes acordos, como o do nióbio, cheguem à população. Ela respondeu que a chave está na governança. “O que garante que o dinheiro chega lá na ponta para quem precisa é a governança”, afirmou, destacando a importância de acordos claros, transparência e estruturas que permitam fiscalização pelos órgãos de controle.

No quadro Responde Aí, Chefe, Luísa respondeu à pergunta de Bruno Ligório, presidente do Sicepot-MG, sobre como lidar com a política em projetos de PPPs e concessões. Ela afirmou que o caminho não é negar a política, mas utilizá-la corretamente. “O nosso trabalho não é brigar com a política, é fazer a boa política”, disse, defendendo diálogo, clareza técnica e foco no interesse público.

Ao final do episódio, Luísa defendeu um Estado mais leve, menos burocrático e orientado a resultados. Para ela, o mais importante é o serviço entregue à população. “Para mim, o que importa

mais é o serviço bem prestado”, afirmou, ressaltando que o modelo, público ou privado, deve ser escolhido com base na eficiência e no benefício gerado para a sociedade.

O episódio reforça o Itatiaia Negócios Cast como espaço de debate qualificado sobre gestão pública, governança e decisões que impactam diretamente o futuro econômico e social de Minas Gerais.

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Leonardo Bortoletto é empresário e apresentador do Itatiaia Negócios Cast e comentarista do Conversa de Redação. Com olhar estratégico para gestão e mercado, entrevista líderes que impulsionam decisões e transformações reais.

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